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Soraya Thronicke defende investigação no STF e destaca valores em entrevista

Soraya Thronicke no estúdio da Rádio Massa FM Campo Grande Foto: Karina Anunciato/ Portal RCN67

A senadora Soraya Thronicke (PSB) afirmou nesta quinta-feira (10), em entrevista à Massa FM, que sua trajetória política não representou uma ruptura com seus princípios. A parlamentar, que concorre à reeleição pelo Mato Grosso do Sul, defendeu a responsabilização de autoridades e a investigação de fatos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Questionada sobre as mudanças de partido ao longo de sua carreira, Soraya ressaltou que sua postura inicial, marcada pela indignação contra a corrupção, permanece intacta. Ela explicou que o afastamento de grupos políticos anteriores ocorreu após decepções com a condução de temas como a pandemia e o combate à corrupção.

“Eu não mudei em absolutamente nada dos meus valores e dos meus princípios”, declarou a senadora. Para ela, o verdadeiro conservadorismo é institucional, focado na preservação da democracia e das instituições, e não apenas em questões de costumes.

Crise no STF

O momento institucional do país foi um dos pontos centrais da conversa. Soraya classificou a crise envolvendo o STF como uma situação sem precedentes, afirmando que não há jurisprudência ou casos anteriores que sirvam de base para o Senado agir diante de possíveis pedidos de impeachment de ministros.

A senadora defendeu que o Judiciário deve permanecer dentro dos limites da ciência jurídica, evitando o envolvimento político. Sobre a criação de um código de conduta para ministros, ela admitiu que inicialmente considerava a medida desnecessária, dada a existência de regras de transparência e imparcialidade.

Contudo, diante das controvérsias recentes, Soraya reforçou a necessidade de apuração rigorosa. “Doa, quem doer, todos devem ser investigados e que a gente consiga superar isso em meio a uma eleição”, disse. A declaração ocorre em um contexto de alta tensão política, com a sociedade dividida sobre o papel da Corte.

A trajetória partidária de Soraya inclui o PSL, onde foi eleita em 2018, o União Brasil, pelo qual disputou a Presidência em 2022, e o Podemos, onde atuou como vice-líder da bancada feminina. Atualmente, ela integra o PSB e faz parte de uma aliança eleitoral que inclui o PT para as eleições de 2026.

Investimentos no Estado

Além da crise nacional, a senadora detalhou sua atuação no Mato Grosso do Sul. Soraya afirmou ter destinado mais de R$ 5 bilhões em recursos para o Estado nos últimos anos, incluindo sua cota proporcional em emendas de bancada. Segundo ela, os recursos alcançaram os 79 municípios sul-mato-grossenses.

A parlamentar fez questão de esclarecer a diferença entre destinar e executar recursos. “A caneta do legislador é limitada à destinação do recurso. Quem executa, faz o asfalto acontecer, é o chefe do Poder Executivo”, explicou. Ela mantém em seu site um mapa com as informações sobre a aplicação desses valores.

Na área da saúde, Soraya citou a destinação de cerca de R$ 65,5 milhões para Dourados. Ao comentar a situação da Santa Casa de Campo Grande, ela apontou problemas crônicos de financiamento e gestão. A senadora defendeu a atualização da tabela do SUS e alertou que a parte privada do hospital acaba subsidiando atendimentos públicos.

A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, também foi destacada. O projeto prevê investimento superior a R$ 5 bilhões e a geração de milhares de empregos. Para Soraya, a iniciativa é crucial para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, beneficiando o agronegócio nacional.

Por fim, a senadora abordou a violência contra a mulher. Ela defendeu a ampliação da participação feminina na política e o aumento de recursos para a proteção das vítimas. Soraya citou a Lei Bárbara Penna, iniciativa de seu mandato, como exemplo de atuação nesta área. “Mais mulheres na política. Só nós sabemos a dor que a gente vive”, afirmou.

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