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MS registra 250 suicídios em 2026 e CVV alerta para sinais sutis

Adão Barros, no estúdio da Rádio Massa FM Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco/ Portal RCN67

Mato Grosso do Sul contabilizou 250 ocorrências de suicídio em 2026, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número reforça a gravidade do cenário e a urgência do debate sobre prevenção, especialmente nesta quinta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Campo Grande concentra 58 desses registros, evidenciando o impacto direto na capital.

Janeiro apresentou o maior volume de casos no Estado, com 43 ocorrências. Agosto ficou em segundo lugar, com 35 registros. Para comparação, todo o ano de 2025 teve 338 ocorrências contabilizadas. Os dados mostram uma tendência preocupante que exige atenção imediata da sociedade e das políticas públicas.

Sinais de alerta

Adão Barros, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), destaca que olhar apenas para as estatísticas não basta. É preciso ampliar os espaços de acolhimento e escuta para quem enfrenta sofrimento emocional. O suicídio é uma questão de saúde pública grave no Brasil e no mundo, mas o foco do CVV permanece na prevenção e no apoio.

Familiares e amigos devem estar atentos a alterações no comportamento. Sinais como isolamento, busca constante pela solidão, automutilação e desmotivação para o trabalho podem indicar dificuldades emocionais. O afastamento do convívio social e a tristeza persistente também merecem atenção especial.

Mudanças bruscas na rotina e a dificuldade em conversar sobre o que está acontecendo são outros indícios. Adão Barros explica que esses sinais podem ser sutis, mas nunca devem ser ignorados. A pessoa pode começar a se distanciar do grupo, buscando a solidão como forma de lidar com a dor.

A orientação é não esperar que a pessoa peça ajuda para iniciar uma conversa. Demonstrar preocupação, perguntar como ela está e oferecer companhia são atitudes simples, mas poderosas. Aproximar-se de quem está sofrendo pode ser o primeiro passo para quebrar o ciclo de isolamento.

Poder da escuta

O CVV trabalha com o conceito de escuta empática. Isso significa ouvir sem julgamento e oferecer espaço para que a pessoa fale sobre sua realidade. Para Adão Barros, essa atitude não depende de formação técnica e pode começar dentro da própria família.

O voluntário afirma que estar presente e dar apoio emocional através da escuta é algo que qualquer pessoa pode fazer. Uma abordagem simples, como perguntar “você está bem?” ou dizer que percebeu uma mudança, pode abrir espaço para o compartilhamento do sofrimento. A disponibilidade é a chave para que a pessoa se sinta segura para falar.

O Centro de Valorização da Vida atua no Brasil desde 1962. Atualmente, a instituição conta com cerca de 2 mil voluntários e realiza aproximadamente 3 milhões de atendimentos por ano. O serviço é gratuito e sigiloso, garantindo privacidade a quem busca ajuda.

O atendimento pode ser feito pelo telefone 188, além de chat e e-mail disponíveis no site do CVV. O objetivo não é dar respostas prontas ou solucionar problemas de forma imediata. O foco é o apoio emocional através da escuta compreensiva, permitindo que a pessoa encontre suas próprias soluções.

Adão Barros explica que o CVV não oferece aconselhamento tradicional. A escuta compreensiva ajuda a pessoa a trazer um processo de solução para si mesma. O atendimento é sigiloso e não há gravação das ligações, o que aumenta a segurança de quem procura o serviço.

Situações de crise, como problemas familiares, dificuldades financeiras e conflitos no trabalho, podem aumentar a sensação de desespero. Nesses momentos, a pessoa pode ter dificuldade para enxergar alternativas. Buscar alguém de confiança para conversar é um passo fundamental para sair do isolamento.

Quem está no “olho do furacão” muitas vezes não consegue achar uma saída sozinho. A resolução conjunta é fundamental. O voluntário reforça que o atendimento do CVV está disponível para qualquer pessoa, inclusive para quem não se sente confortável em procurar familiares ou amigos.

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre saúde mental. É o momento de fortalecer políticas públicas de prevenção e atendimento. Em Mato Grosso do Sul, os 250 registros de 2026 mostram a dimensão do problema e a necessidade de atenção aos sinais de sofrimento.

Para Adão Barros, a prevenção começa pela capacidade de perceber mudanças e se aproximar de quem está em situação difícil. Esses sinais não podem ser ignorados. A sociedade precisa estar sempre atenta ao que está acontecendo ao seu redor.

Quem estiver passando por um momento de sofrimento emocional pode procurar o CVV pelo telefone 188, gratuitamente. Também é possível utilizar os canais de atendimento disponíveis no site da instituição. A busca por ajuda é uma forma de cuidado e um passo importante para a recuperação.

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