O município de Inocência, no Mato Grosso do Sul, protocolou nesta sexta‑feira (8 de setembro) um pedido formal ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para revisão da estimativa populacional de 2026, que atualmente indica 8.814 habitantes. A solicitação foi feita pela prefeitura, que argumenta que os números oficiais não acompanham a transformação econômica, urbana e demográfica observada nos últimos anos.
Na sede do IBGE, em Campo Grande, o prefeito Antônio Ângelo Garcia dos Santos e o secretário municipal de Finanças, Gilmarez Leal, apresentaram os documentos ao superintendente Mário Alexandre e à assessora técnica Carlita Estebam de Souza. O encontro visou demonstrar, com base em indicadores municipais, a necessidade de ajustar a projeção populacional.
Segundo a estimativa do IBGE, Inocência teria passado de 8.404 habitantes em 2022 para 8.814 em 2026, o que corresponde a um crescimento de 4,88% – ou 410 pessoas – em quatro anos. A administração municipal, porém, aponta que diversos indicadores apontam para um ritmo muito mais acelerado, sobretudo após a implantação do Projeto Sucuriú e a expansão das atividades industriais, florestais, logísticas e de serviços.
Crescimento econômico
Em julho de 2026, o município registrou 13.216 empregos formais, número que supera em muito a média dos municípios vizinhos. Nos sistemas municipais de saúde, constam 15.150 pessoas distintas cadastradas, indicando aumento da demanda por serviços médicos. O consumo de energia elétrica cresceu 105,6% desde 2022, enquanto as ligações de água subiram cerca de 29%. Na educação infantil, as matrículas em creches e pré‑escolas aumentaram 24,38% entre 2022 e 2025.
A construção civil também registrou expansão significativa. Entre 2022 e setembro de 2026, foram emitidos 1.033 alvarás de construção e aprovados 1.650 novos lotes. Outros 429 lotes permanecem em análise, o que, segundo a prefeitura, representa um potencial de até 2.079 novos lotes para ocupação urbana nos próximos anos.
Impacto nas finanças
Os números populacionais oficiais do IBGE servem de base para a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e para o planejamento de saúde, educação, assistência social e infraestrutura. Uma população subestimada pode reduzir a cota do FPM recebida por Inocência e gerar distorções no dimensionamento de serviços públicos, comprometendo a eficácia das políticas locais.
Diante desse cenário, a prefeitura reforçou que a soma dos indicadores apresentados demonstra um processo de transformação que precisa ser refletido na definição oficial da população. O pedido será analisado pelos técnicos do IBGE, que deverão avaliar a consistência dos dados e decidir se a estimativa será ajustada.
Para o município, a revisão não se resume a um número, mas à garantia de que recursos federais e planos de investimento correspondam à realidade vivida pelos cidadãos. Caso a estimativa seja revisada, Inocência espera um aumento nos repasses do FPM e maior adequação dos projetos de saúde, educação e infraestrutura nos próximos anos.







