Na manhã de sexta‑feira, 19 de maio, uma mulher de 64 anos, acamada e dependente de injeções diárias de insulina, ficou sozinha em seu apartamento no bairro Vila Marcos Roberto, em Campo Grande, após a cuidadora responsável deixar o local antes da chegada da substituta.
Segundo o boletim policial, a cuidadora saiu por volta das 7h50, alegando a necessidade de cumprir outro plantão. A profissional que deveria assumir o turno não chegou no horário, deixando a paciente sem acompanhamento nem a administração dos medicamentos prescritos.
Com as portas da residência abertas e sem nenhum cuidador, a idosa entrou em estado de sofrimento e ligou para a filha pedindo ajuda. A chamada foi atendida, e a filha deslocou‑se imediatamente ao apartamento.
Abandono no plantão
Ao chegar, a filha encontrou a mãe aos prantos, sem nenhum cuidador presente. A Polícia Militar foi acionada e registrou a ocorrência, que passou a ser investigada pelas autoridades competentes.
A nova profissional de home care só chegou por volta das 9h, aproximadamente uma hora e dez minutos após a saída da cuidadora original, retomando o acompanhamento da paciente e a administração da insulina.
A família relata que o episódio não foi isolado. No sábado, 12 de maio, por volta das 23h, outra cuidadora teria abandonado o plantão antes da chegada da substituta, obrigando a filha a permanecer no apartamento durante a noite.
A responsável pela empresa contratada negou que tenha ocorrido abandono de plantão e não informou à família o nome completo da cuidadora que saiu. O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/ Centro) e segue em investigação pela Polícia Civil, ainda sem conclusão sobre responsabilidade criminal.
Risco à saúde
O abandono de cuidados coloca em risco a vida de pacientes que dependem de monitoramento constante, como a necessidade de aplicação de insulina para evitar hipoglicemia. Especialistas alertam que atrasos na administração de medicamentos podem gerar complicações graves, inclusive coma ou morte, sobretudo em idosos com comorbidades.
A denúncia da família também levanta questões sobre a comunicação entre a empresa de home care e os usuários. Segundo o relato, não houve aviso prévio sobre a saída da cuidadora nem sobre a ausência da substituta, prática que pode violar normas de prestação de serviços de saúde e gerar responsabilidade civil.
A polícia civil analisará as gravações de câmeras e os registros de escala da empresa para determinar se houve negligência. Caso seja comprovada falha, a empresa pode responder por danos morais e materiais à paciente e à sua família.







