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Confronto entre Messias e Andrei expõe crise no governo Lula

Discussão ocorreu após Moraes retirar sigilo de relatório de inteligência da PF que indicou possibilidade de monitoramento do celular de Jorge Messias - Foto: José Cruz e Antônio Cruz/Agência Brasil

Uma discussão acalorada, marcada por trocas de xingamentos e acusações de espionagem, colocou frente a frente dois integrantes do primeiro escalão federal no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O incidente envolveu o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelando uma crise interna alimentada pelos desdobramentos do caso Banco Master.

Segundo apuração da jornalista Marcela Mattos, do portal UOL, o confronto ocorreu no início deste mês no Palácio do Planalto. A briga eclodiu logo após uma solenidade sobre leis do sistema judiciário. Ao entrar na sala presidencial, Rodrigues foi confrontado imediatamente por Messias, que perguntou se estava sendo espionado.

Irritado, o ministro da AGU emendou ofensas, questionando se era verdade que monitoravam seu telefone. A reunião contou com a presença direta de Lula, descrita por testemunhas como um diálogo de extrema rispidez e tensão. A origem do embate remonta à quebra de sigilo de um relatório de inteligência da corporação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Relatório e suspeitas

O documento policial questionava procedimentos do ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O texto sugeria que Messias teria sido omisso ao não recorrer de determinações do magistrado. O relatório apontava afinidades religiosas e apoio anterior de Mendonça à indicação de Messias ao STF.

Um trecho final anotava que a situação autorizava monitoramento e coleta dirigida. Essa menção acendeu a revolta do advogado-geral, que passou a suspeitar de vigilância ilegal sobre sua rotina. Por sua vez, a cúpula da PF alegava que Messias resistia a travar decisões de Mendonça e que diálogos reservados vazavam com rapidez para o ministro do STF.

Dias antes, uma rusga já havia ocorrido com o marqueteiro Sidônio Palmeira, que chamou Mendonça de irmão de Messias durante reunião governamental. O advogado-geral negou a relação enfaticamente, usando novos palavrões. O atrito teve desdobramentos jurídicos imediatos, culminando em uma disputa judicial acirrada.

Disputa judicial e afastamento

Quatro dias após o bate-boca, André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A decisão alegou que o setor de inteligência realizava monitoramento sistemático e ilícito contra o ministro e contra o chefe da AGU. A ordem provocou um novo choque entre os envolvidos.

Sem autorização do delegado, a Advocacia-Geral da União ingressou com recurso contra a decisão. Andrei Rodrigues telefonou pessoalmente para Messias para vetar a representação, proibindo-o de recorrer em seu nome. O titular da AGU respondeu que agiria em nome do presidente da República e ironizou sobre a autoria da decisão judicial.

Rodrigues contratou defesa particular e acionou o STF via petição distribuída ao ministro Flávio Dino, que revogou a saída do diretor em menos de 24 horas. Paralelamente, o recurso da AGU chegou à presidência do tribunal, onde o ministro Edson Fachin suspendeu os efeitos das duas decisões monocráticas. Fachin abriu prazo formal para manifestação de todas as partes. Procurados pela coluna do UOL, Jorge Messias e Andrei Rodrigues não quiseram se pronunciar.

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