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Mato Grosso do Sul celebra 49 anos e consolida polo agroindustrial de alcance global

Neste domingo, 11, Mato Grosso do Sul comemorou 49 anos de criação política, marcando a consolidação de uma transição histórica de um estado predominantemente primário para um polo agroindustrial e logístico de peso internacional.

O Estado foi criado por decreto‑lei assinado em 1977 pelo então presidente Ernesto Geisel, garantindo autonomia para aplicar a arrecadação local em infraestrutura viária e na atração de investimentos produtivos.

Para o economista Eduardo Matos, a trajetória sul‑mato‑grossense reflete os passos da economia nacional. “Iniciamos com atividades extensivas de baixo valor agregado, principalmente a pecuária tradicional nos campos pantaneiros e a erva‑mate na fronteira. A divisão coincidiu com um ciclo federal de grandes investimentos viários que abriram caminho para o plantio da soja e do milho.”

Ele acrescenta que o estado superou a quebra das antigas usinas de açúcar e álcool e hoje vive uma internacionalização guiada pela indústria de celulose, pelo etanol de milho e pela vantagem da Rota Bioceânica rumo à Ásia.

Transformação econômica

Essa reconfiguração econômica posiciona Mato Grosso do Sul como fornecedor de commodities estratégicas e como ponto de conexão entre a América do Sul e mercados asiáticos. A produção de soja, milho e celulose tem atraído capital estrangeiro, enquanto a logística da Rota Bioceânica reforça a capacidade exportadora do estado.

O professor de Geografia Luiz Fernando Cenora alerta que a ocupação do território antecede o desenho oficial de 1977. “Quando se fala na construção do Estado, costuma‑se glorificar a chegada dos fluxos migratórios após 1977. Mas esse território já era estruturado por povos indígenas, paraguaios, bolivianos, comerciantes e pecuaristas.”

Ele destaca que a expansão econômica marginalizou populações originárias e gerou profundos conflitos de terra, embora tenha atraído sulistas e paulistas em busca de oportunidades.

Identidade multicultural

O historiador Victor Hugo Flandoli enfatiza que a identidade sul‑mato‑grossense está em permanente construção. “Se há uma palavra que define Mato Grosso do Sul, é o multiculturalismo. Somos o tereré, a chipa, a influência árabe no comércio, a herança japonesa no sobá e a memória pantaneira.”

Flandoli afirma que esse orgulho regional se reflete na preservação de patrimônios históricos e na valorização dos pioneiros que moldaram a sociedade local.

Ao completar 49 anos de emancipação, o Estado projeta, para 2026, a conexão de suas raízes fronteiriças ao avanço industrial, transformando o antigo corredor do gado em elo estratégico para a integração sul‑americana. A expectativa é de novos empregos, cadeias produtivas globais e maior investimento do setor privado.

O apoio institucional vem de Sanesul, que destaca a excelência em saneamento para o Mato Grosso do Sul, contribuindo para a infraestrutura necessária ao crescimento sustentável.

O próximo passo inclui a ampliação de projetos logísticos ligados à Rota Bioceânica e a consolidação de políticas que favoreçam a inclusão social, reduzindo os conflitos de terra ainda latentes. A matéria foi publicada originalmente na RCN67.

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