O programa “História da Minha Rua”, exibido no quadro do TVC Agora, canal 13.1 da TVC HD, dedicou a última edição ao bairro Santa Luzia, em Três Lagoas (MS). A reportagem recorreu ao início do século XX para mostrar como a construção da ferrovia Noroeste do Brasil foi decisiva na formação do bairro, atraindo trabalhadores e desencadeando o surgimento dos primeiros núcleos urbanos ao redor da Lagoa Maior.
Por volta de 1911, os operários vinculados à ferrovia começaram a ocupar a área que hoje corresponde ao Santa Luzia. O local recebeu o apelido de Formigueiro, em razão da abundância de formigas que marcava a paisagem. Esse detalhe ficou registrado na memória dos primeiros moradores, que associaram o crescimento da cidade ao incômodo causado pelos insetos.
Ferrovia e fundação
A chegada da ferrovia não só trouxe mão de obra, mas também abriu caminho para a instalação de casas, comércios e novas famílias. Assim, o Formigueiro evoluiu para um bairro estruturado, passando a ser conhecido como Santa Luzia. A mudança de nome refletiu a consolidação da comunidade e sua ligação à igreja local, que viria a se tornar um ponto de referência para os moradores.
A moradora e professora Dalzia, que vive no bairro desde 1942, relembrou sua trajetória pessoal. Ela se afastou de Santa Luzia em 1963, mas retornou alguns anos depois e manteve um vínculo afetivo com a comunidade. “Orgulho eu tenho”, afirmou, ressaltando o sentimento de pertencimento que acompanha gerações que testemunharam a transformação do bairro ao longo das décadas.
Transformações ao longo do tempo
Entre as mudanças lembradas por Dalzia, destaca‑se a construção do coreto em 1968, que se tornou ponto de encontro para as atividades culturais do bairro. A ampliação da Igreja Santa Luzia, também citada, reforçou o papel religioso na vida comunitária. O asfalto chegou entre 1984 e 1985, primeiro nas vias próximas ao coreto e à matriz, e depois se estendeu para outras áreas, marcando a modernização da infraestrutura urbana.
Mais de um século depois dos primeiros passos ao redor da ferrovia, Santa Luzia acompanha o crescimento de Três Lagoas. As casas foram reformadas, novas gerações se instalaram e o núcleo originado pelos trabalhadores da linha férrea consolidou‑se como parte da identidade da cidade. O bairro mantém viva a memória das ruas, dos comércios que antes eram ponto de encontro e das histórias transmitidas de geração em geração.
No encerramento do quadro, o repórter Henrique Ferian resumiu o bairro como um lugar onde cada rua, morador e esquina guarda uma história. Conhecer o Santa Luzia, concluiu a reportagem, é também voltar ao começo de Três Lagoas, reforçando a importância de preservar a memória urbana para entender o desenvolvimento da região.








