Resgatar o prestígio da carreira do magistério no Brasil é considerado um passo fundamental para melhorar o sistema educacional. A desvalorização dos profissionais da área é apontada como o principal obstáculo para que estudantes talentosos escolham a profissão. O objetivo é formar uma geração superior à atual, exigindo reconhecimento e meritocracia.
Para que isso aconteça, é necessário que o docente mantenha uma postura exemplar e profissional. Existe um princípio básico: uma aula merece ser bem dada e, para isso, deve ser bem preparada. Quando bem conduzida, a aula proporciona momentos de felicidade genuína, tornando-se uma experiência revigorante tanto para o professor quanto para os alunos.
O modelo de Singapura serve de exemplo internacional. O país, que até a década de 1960 tinha uma população majoritariamente analfabeta e pobre, hoje figura entre os melhores resultados em avaliações educacionais globais. A carreira docente lá é altamente qualificada e respeitada. Os professores dedicam 100 horas ou mais por ano à capacitação, focando em novas metodologias, tecnologias de ensino e habilidades.
O papel do educador
No Brasil, a realidade ainda está distante desse padrão. No entanto, o resgate do prestígio da profissão depende também da postura do próprio docente, independentemente das políticas públicas. O professor precisa manter-se atualizado sobre os avanços de sua área e as novas práticas educacionais. É essencial preparar aulas que favoreçam a motivação e manter um bom nível de exigência em relação ao conteúdo.
Somente assim o educador será capaz de promover nos alunos bons valores, autonomia e autodidatismo. A paixão pelo ensino e a vontade de investir na própria formação demonstram quem realmente deseja ser um bom didata. A didática é primordial, pois as mudanças no ambiente da sala de aula são intensas e constantes. Isso requer formação continuada, já que o magistério é uma das profissões que mais se desatualizam.
O bom educador é, portanto, um eterno aprendiz. Infelizmente, muitos didatas experientes, que tinham aulas expositivas bem-preparadas, estão perdendo espaço. Eles enfrentam dificuldades para obter o mesmo êxito em plataformas digitais ou diante dos novos desafios trazidos pela inteligência artificial. Há uma metáfora comum: os professores estão embarcando em um ônibus de ida, sem retorno. A maioria se capacita, adapta-se e segue em frente, enquanto outros são deixados para trás.
Desafios e adaptações
No século 21, o professor tende a ser mais exaltado do que nunca. Porém, seu papel deixa de ser apenas o de um expositor de conteúdos. Ele passa a atuar como mediador, mentor e motivador. Com os avanços das tecnologias educacionais e a facilidade de acesso à informação, a escola deve equilibrar melhor as competências cognitivas e socioemocionais.
Nesse cenário desafiador, a maioria dos docentes se sente despreparada para uma boa mediação tecnológica. Pesquisas recentes indicam que eles gostariam de receber capacitação dentro da instituição de ensino. A formação é um dever compartilhado: compete à escola oferecê-la e, sobretudo, ao professor buscá-la com estudo e afinco.
Quem atua na educação conhece os grandes desafios da profissão, embora eles façam parte de outras áreas também. Para o alento, há muitos professores vocacionados. Mesmo diante da pouca valorização, encontram no entusiasmo e na paixão por ensinar a motivação para seguir em frente. O entusiasmo vem do grego en-theo, que significa ter um deus dentro de si. Quem tem uma postura entusiasta carrega essa essência.
A missão do educador é grandiosa e não admite mediocridade. A sala de aula representa o espaço mais nobre de qualquer organização educacional, talvez de todo um país. É nesse local que devem estar os melhores talentos. O mestre pode perder gradualmente a centralidade no processo de ensino-aprendizagem com o passar dos anos, mas os ensinamentos que professa reverberarão por várias gerações.
Como dizia D. Pedro II, não há missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro. E só dirige bem essas inteligências quem jamais deixa de cultivar a própria. Jacir J. Venturi, autor da análise, atuou como professor e gestor escolar na UFPR, na PUCPR, na Universidade Positivo, em cursos pré-vestibulares e em escolas públicas e privadas, inclusive no Colégio Estadual do Paraná. Ao longo de 52 anos de atuação, foi professor de mais de 90 mil alunos. Ele é membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná.







