Na quarta-feira (21), o médico Sóstenes Maciel, pós‑graduado em urologia e psiquiatria, alertou no Podcast do Grupo RCN, em Campo Grande, sobre os perigos de usar testosterona sem acompanhamento médico.
Ele destacou que sintomas como cansaço excessivo, falta de disposição, alterações de humor, dificuldade para controlar o peso e redução da libido não significam necessariamente que os níveis de testosterona estão baixos. Esses sinais podem estar relacionados a problemas na tireoide, alterações hepáticas, diabetes, depressão e ansiedade.
Segundo o especialista, a investigação deve considerar o quadro completo do paciente antes de indicar qualquer tratamento hormonal.
O médico afirmou: ‘O erro e o perigo está em achar que é a testosterona e se automedicar’.
Importância da avaliação
A testosterona é um hormônio essencial para características masculinas, como desenvolvimento da voz, crescimento de pelos e ganho de massa muscular. Também está ligada à saúde óssea, disposição e função sexual. Com o envelhecimento, os níveis hormonais podem diminuir, mas não existe uma idade única para determinar quando um homem precisa investigar uma possível deficiência. A avaliação depende dos sintomas, exames e condições individuais.
Maciel explicou que o excesso de peso, especialmente o acúmulo de gordura abdominal, pode interferir no funcionamento hormonal. Por isso, a reposição não deve ser usada como solução automática para dificuldades de emagrecimento, ganho de massa muscular ou falta de energia.
Ele ressaltou que os exames são necessários não apenas para verificar se a testosterona está baixa, mas também para descobrir o motivo da alteração. ‘Não basta apenas saber que a testosterona está baixa, eu tenho que saber o porquê que ela está baixa’, afirmou.
Um dos principais alertas apresentados na entrevista diz respeito à fertilidade. De acordo com Maciel, a administração de testosterona externa pode interferir nos sinais hormonais responsáveis por estimular os testículos a produzir espermatozoides. Com a redução desses estímulos, a produção de espermatozoides pode cair, comprometendo a capacidade reprodutiva do homem. O uso prolongado pode dificultar a recuperação da produção natural e, em alguns casos, levar à infertilidade permanente.
O médico também abordou o uso de testosterona por mulheres para fins estéticos ou para acelerar resultados na academia. O uso inadequado pode provocar sinais de masculinização, como engrossamento da voz e crescimento de pelos em regiões como o rosto, além de possíveis complicações cardiovasculares. Ele alertou ainda para os riscos associados à aquisição de hormônios no mercado paralelo, sem avaliação profissional e controle das condições de uso.
Além da avaliação médica, hábitos cotidianos também foram destacados como fatores importantes para a saúde hormonal masculina. Maciel ressaltou a importância de manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o estresse e priorizar a qualidade do sono. Ele citou como referência noites de sete a oito horas de sono, sem interrupções frequentes. Esses cuidados podem contribuir para o funcionamento adequado do organismo, embora não substituam a investigação médica quando existem sintomas persistentes ou suspeita de deficiência hormonal.
Para homens que apresentam fadiga, irritabilidade, desânimo ou redução da disposição, o médico orienta procurar avaliação profissional antes de iniciar a reposição de testosterona. A avaliação pode começar em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em outro serviço de atendimento médico, com encaminhamento para um especialista quando necessário. A principal recomendação é não utilizar hormônios por indicação de conhecidos ou com base em informações encontradas nas redes sociais. O tratamento deve ser definido a partir das necessidades e das condições de saúde de cada paciente. O post ‘Uso de testosterona sem avaliação médica pode comprometer fertilidade e causar riscos à saúde’ apareceu primeiro em RCN67.








