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Chuva em Campo Grande supera média em 96%, mas seca persiste no MS

Setembro teve chuva quase duas vezes acima da média em Campo Grande - Foto: Arquivo RCN67

Mato Grosso do Sul registrou volumes de chuva acima da média histórica em diversas regiões durante setembro, mas o cenário permanece marcado pela desigualdade na distribuição das precipitações. Enquanto a capital Campo Grande acumulou 220 milímetros, quase o dobro da média, o nordeste do estado e o Pantanal enfrentam déficit hídrico persistente e avanço das condições de seca.

Os dados constam no Monitoramento Mensal das Secas de setembro de 2026, elaborado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O relatório detalha a variação climática no estado, destacando os extremos entre as regiões central, sul e sudeste, que receberam os maiores volumes.

Disparidade entre municípios

As regiões central, sul e sudeste concentraram os maiores acumulados, com valores predominantemente entre 120 e 180 milímetros, ultrapassando 200 milímetros em alguns municípios. Além de Campo Grande, Anaurilândia registrou 223,6 milímetros, Itaporã teve 200 milímetros e Dourados acumulou 194,6 milímetros. Nova Alvorada do Sul e Ivinhema também apresentaram volumes elevados, com 190,6 e 190,2 milímetros, respectivamente.

Em contrapartida, as regiões norte e nordeste apresentaram os menores volumes de precipitação. Áreas nessas localidades registraram índices abaixo de 40 milímetros, com pontos mais secos inferiores a 20 milímetros. Alcinópolis, que registrou apenas 19,4 milímetros, está entre os municípios com os maiores déficits, ao lado de Costa Rica, Figueirão e Pedro Gomes.

Impactos e previsões

Em Campo Grande, o acumulado registrado pela estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, ficou 96% acima da média histórica para setembro, calculada com base no período de 1981 a 2010. Outro ponto de medição, operado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), registrou 220,4 milímetros, volume 184% superior à média esperada. A diferença entre os percentuais considera as referências climatológicas utilizadas na análise de cada medição.

Apesar do aumento das chuvas em diversas regiões, os indicadores mostram que a melhora no curto prazo não eliminou os efeitos da estiagem acumulada. Na análise do Índice Padronizado de Precipitação (SPI), o cenário de três e seis meses apresentou redução expressiva do déficit hídrico, com predomínio de condições entre a normalidade e o excesso de precipitação em grande parte do estado.

Já na escala de 12 meses, os efeitos das secas anteriores continuam presentes, principalmente no Bolsão, no nordeste e em áreas do sul de Mato Grosso do Sul. Alguns pontos registraram índices compatíveis com seca severa a extrema. O relatório também identificou avanço e intensificação das condições de seca no Pantanal em comparação com julho de 2026. O indicador que considera precipitação e evapotranspiração apontou predomínio de condições secas na região, com focos isolados de seca severa.

No sentido oposto, a região central manteve condições úmidas nas diferentes escalas analisadas, com volumes de precipitação superiores à perda de água para a atmosfera por evapotranspiração. Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, a projeção do Cemtec indica acumulados de chuva acima da média climatológica em Mato Grosso do Sul, com volumes de referência entre 500 e 700 milímetros, conforme a região.

Apesar da perspectiva de mais chuva, a previsão aponta temperaturas acima da média histórica, cuja referência varia entre 22°C e 28°C. O cenário indica um trimestre predominantemente aquecido no estado. O relatório ainda aponta probabilidade de 96% de ocorrência de El Niño de intensidade muito forte no início do verão, além de 4% para a categoria forte. Entre os possíveis impactos estão ondas de calor e tempestades mais intensas, com ventos fortes, raios e possibilidade de granizo.

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