O acompanhamento odontológico antes e durante o tratamento de câncer pode evitar infecções graves e impedir a interrupção da quimioterapia ou radioterapia, alerta a dentista Priscila Melo Costa Pires, da Clínica Inareja, em entrevista concedida à rádio Massa FM de Dourados nesta sexta‑feira (9). A medida tem sido recomendada por oncologistas da região, que reconhecem a relação entre saúde bucal e sucesso terapêutico.
Segundo a profissional, a quimioterapia e a radioterapia provocam efeitos colaterais que exigem cuidados específicos na boca. A avaliação odontológica permite identificar problemas dentários e focos de infecção, além de preparar o paciente para o tratamento. “Para mim, é muito mais difícil o paciente que já chega com a complicação do que o paciente que chega antes”, afirmou. Além disso, a limpeza profissional e a correção de cáries evitam a proliferação de bactérias que podem se espalhar durante a imunossupressão.
Cuidados bucais
A dentista também destacou a ocorrência de feridas e sangramentos recorrentes na cavidade bucal, que precisam ser avaliados para determinar sua origem e definir o tratamento adequado. As lesões podem resultar de traumas, dos efeitos da terapia ou de infecções por fungos, vírus e bactérias. A identificação precoce permite tratamento imediato, reduzindo a necessidade de interrupções no protocolo oncológico.
Para pacientes que utilizam prótese dentária, o cuidado principal está na adaptação. Priscila explicou que a prótese pode ser mantida, desde que não provoque feridas ou machucados que dificultem a alimentação. Por isso, ajustes e avaliações devem ser realizados, preferencialmente, antes do início da terapia oncológica.
A orientação da especialista é conversar com o oncologista sobre os possíveis efeitos das medicações na boca e sobre a necessidade de acompanhamento odontológico contínuo. Ela reforçou que a prevenção deve integrar a rotina de saúde, evitando que o paciente procure atendimento apenas quando o problema já estiver avançado.
A dentista recomenda que pacientes recém‑diagnosticados agendem avaliação odontológica o quanto antes e que os profissionais de saúde incluam a orientação bucal nos protocolos de tratamento oncológico. O acompanhamento deve ser mantido ao longo de todo o ciclo terapêutico, com revisões periódicas.








