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Oficinas de costura sustentável em Campo Grande abrem novas vagas em janeiro

Projeto de reaproveitamento de tecidos no bairro Coophavila transforma descartes têxteis em fonte de renda - Foto: Divulgação/Sesc-MS

Quarenta e uma pessoas, com idades entre 18 anos e mais de 60, participam atualmente das oficinas de costura sustentável em Campo Grande. As aulas acontecem no espaço Sesc Mais, localizado no bairro Coophavila. A iniciativa oferece uma alternativa de capacitação profissional e geração de renda por meio da técnica de upcycling.

O método consiste em transformar peças de vestuário descartadas em novos produtos com acabamento comercial. Materiais que seriam destinados ao lixo, como calças jeans, camisas e retalhos, são desmontados e reconstruídos. O resultado são bolsas, coletes, acessórios e itens de decoração que podem ser vendidos.

Impacto na renda

A técnica de reutilização de tecidos tem gerado impacto direto na vida dos participantes. Marilza Zacarias Sabino, artesã que ingressou nas turmas em 2025 após ficar sem trabalho, relata a conquista da independência financeira. Antes, ela produzia apenas bolsas, mas agora consegue confeccionar coletes e outros modelos.

“Esse projeto me ajuda a desenvolver mais a criatividade. Consigo vender minhas peças na feira, sempre estou fazendo um modelo novo. Achei que não ia dar conta de fazer roupa e agora estou conseguindo”, afirmou a aluna. Para ela, a formação permitiu expandir o portfólio e garantir a comercialização constante dos itens produzidos nas aulas.

Foco na empregabilidade

A instrutora Ivani Grance, de 56 anos, destaca que o objetivo central da capacitação é a empregabilidade. Com mais de três décadas de experiência na costura, graduação em Ciências Sociais e mestrado em Antropologia Social, ela busca desmistificar a ideia de que o aprendizado é apenas um passatempo.

“Eu vejo a costura como uma ferramenta de transformação social. Aquela mulher que muitas vezes não tem mais espaço no mercado de trabalho, por idade ou por problema de saúde, encontra na costura a possibilidade de gerar renda e ser incluída novamente”, explicou Ivani. Ela reforça que a prática vai além da terapia, gerando dinheiro real a partir da valorização de materiais descartados.

Além da subsistência imediata, o projeto atrai profissionais de outros setores interessados no conhecimento técnico para aplicação ambiental. Aline Macario, consultora empresarial e visual merchandiser de 36 anos, já produziu saias e camisas nas aulas. Ela estuda o processo para multiplicar o método de upcycling em suas atividades futuras.

“O upcycling é uma solução para o agora. A gente tem um descarte muito grande de tecidos que são bons e poderiam ter mais uma vida útil”, avaliou Aline. A iniciativa, desenvolvida pelo programa Envolva-se do Sesc MS, depende de doações contínuas de tecidos e roupas usadas. Os materiais devem estar higienizados e em condições adequadas de reaproveitamento.

Novas turmas para os níveis iniciante e avançado terão inscrições abertas em janeiro. As informações sobre critérios de seleção e pontos de entrega de materiais serão divulgadas nos canais oficiais do Sesc MS.

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