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Terra em Três Lagoas atinge R$ 55,1 mil por hectare e supera média estadual

O mercado imobiliário rural de Três Lagoas registra forte alta nos preços, com o hectare de terra com aptidão agrícola atingindo R$ 55,1 mil. Os dados, divulgados pela Scot Consultoria, mostram que o município supera a média estadual, consolidando-se como uma das regiões mais valorizadas de Mato Grosso do Sul.

Além das áreas agrícolas, as propriedades destinadas à pastagem também apresentaram crescimento significativo, alcançando o valor de R$ 24,8 mil por hectare. Essa valorização coloca o município acima dos indicadores médios do estado, que registram R$ 47,4 mil para terras agrícolas e R$ 20,7 mil para pastagens.

Transformação econômica local

Bruno Ribeiro, presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, aponta que a tendência de alta deixou de ser cíclica e passou a ocorrer de forma consistente ano a ano. Segundo ele, a transformação econômica da região é o principal motor dessa mudança. A presença de grandes indústrias de celulose aumentou a demanda por propriedades rurais e atraiu novos produtores e investidores para a área.

A chegada da citricultura também tem influenciado o mercado. Áreas próximas aos rios tornaram-se alvos de forte procura, atraindo interesse de investidores de outras regiões. Ribeiro destaca que a terra de Três Lagoas vem subindo a cada ano, com uma percepção clara de valorização acelerada em comparação a ciclos anteriores de cinco ou dez anos.

Apesar do cenário de juros elevados, que pode limitar parte dos negócios devido à atratividade do mercado financeiro, a expectativa é de que uma eventual queda da taxa Selic aumente ainda mais a procura por imóveis rurais. Para os proprietários, o momento oferece oportunidades de retorno, não apenas pela valorização do ativo, mas também pelo aumento nas receitas de aluguel.

Retorno e movimentação de capital

Contratos para áreas destinadas ao cultivo de eucalipto, que antes giravam em torno de R$ 700 por hectare, agora chegam a cerca de R$ 2 mil, dependendo das condições específicas da negociação. Esse aumento reflete a maior demanda por terras para florestas plantadas, impulsionada pelo setor de celulose.

Parte dos produtores ligados à pecuária tem optado por vender terras em Três Lagoas para reinvestir em outras regiões, como o Norte do país, onde os custos de produção podem ser diferentes. Mesmo com essa rotação de capital, a procura mantém os preços sustentados no município.

Em termos comparativos, o hectare agrícola em Três Lagoas está 9,3% mais caro que no mesmo período de 2025. As terras de pastagem acumularam uma alta de 13,8% no mesmo intervalo. A diferença de valor entre as duas categorias de uso chega a 122%, com a terra agrícola valendo, em média, mais que o dobro da área de pastagem.

O levantamento da Scot Consultoria é nacional e abrange 17 estados. Em Mato Grosso do Sul, foram analisadas dez regiões, incluindo Aquidauana, Bodoquena, Chapadão do Sul, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Naviraí, Nova Andradina e Três Lagoas. Os números indicam que a valorização acompanha a mudança no perfil econômico da região, onde a propriedade rural ganha valor pelo potencial de uso e geração de renda diversificada.

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