Uma fêmea adulta de tatu-canastra, batizada de Flora, passou a ser monitorada por GPS em Três Lagoas. A captura ocorreu no dia 6 de setembro, tornando o animal o primeiro da espécie a receber o equipamento na região. O procedimento faz parte de um projeto de conservação que busca entender melhor os hábitos da fauna local.
Flora pesa 26 kg e foi capturada na semana em que se celebra o Dia do Cerrado, em 11 de setembro. A data destaca a importância do bioma, que ocupa cerca de 22% do território nacional e abriga uma das maiores diversidades de espécies do país. O monitoramento visa descobrir por onde a animal circula e quais áreas utiliza com mais frequência.
Monitoramento inédito
Gabriel Massocato, coordenador de campo do Projeto Tatu-Canastra no Cerrado, explica que o equipamento permite acompanhar os deslocamentos diurnos e noturnos. Os dados revelam se a fêmea permanece dentro dos limites do parque ou se ultrapassa a área preservada. Essas informações são fundamentais para identificar corredores ecológicos e zonas de alimentação.
O Projeto Tatu-Canastra no Cerrado é desenvolvido pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) desde 2022. Flora é o décimo tatu-canastra monitorado pela iniciativa. O objetivo é compreender como a espécie utiliza a paisagem e garantir a conservação de áreas estratégicas para sua sobrevivência.
Com os dados do GPS, os pesquisadores poderão verificar se Flora utiliza fragmentos de vegetação nativa próximos ao parque. Esse deslocamento é essencial, pois a espécie precisa de grandes extensões de terra para viver. A identificação desses caminhos ajuda a mapear a conectividade entre diferentes fragmentos de Cerrado.
Importância ecológica
O tatu-canastra é o maior tatu do mundo, podendo atingir 1,5 metro de comprimento e pesar até 50 kg. Além do tamanho, a espécie desempenha um papel crucial no ecossistema. Os animais escavam tocas de até 4 metros de profundidade, que servem de abrigo para outras espécies depois que o tatu se muda.
Segundo o projeto, mais de 400 animais já foram registrados utilizando tocas de tatu-canastra. O Parque Natural Municipal do Pombo, com cerca de 8 mil hectares de vegetação nativa, é uma das áreas acompanhadas. Além do GPS, o projeto mantém cerca de 80 armadilhas fotográficas na região para identificar a presença de outras espécies, como cachorro-do-mato, lobo-guará, teiú e tatu-galinha.
Os dados coletados ao longo do monitoramento de Flora devem orientar futuras ações de conservação. O objetivo final é proteger os ambientes naturais de Três Lagoas e do Cerrado, garantindo a continuidade da movimentação da espécie e a preservação da biodiversidade local.







