O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS) realizará, no dia 21 de outubro de 2026, às 16h30, a recontagem total dos votos do primeiro turno das Eleições Gerais para deputado estadual e deputado federal, em cumprimento à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou a candidatura de Jerson Domingos (UNIÃO/PP).
A decisão do TSE foi tomada por unanimidade entre os dias 6 e 8 de outubro, após recurso do Ministério Público Eleitoral. O indeferimento do registro de Jerson Domingos implica a exclusão de seus 16.884 votos da totalização, exigindo o recálculo dos resultados proporcionais.
Reprocessamento da totalização
O procedimento será conduzido no plenário da sede do TRE/MS, em Campo Grande, e consistirá em refazer os cálculos da votação considerando a situação jurídica atualizada das candidaturas. A nova totalização pode alterar a distribuição das vagas entre partidos e federações, bem como a ordem dos suplentes que poderão assumir cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul ou na Câmara dos Deputados.
O edital de convocação publicado pelo TRE/MS prevê que, ao término dos trabalhos, será emitido o relatório “Resultado da Totalização”, que será anexado ao processo de Apuração de Eleição. O documento servirá de base para a diplomação dos eleitos e para a definição dos suplentes, caso haja mudanças decorrentes da anulação dos votos de Domingos.
Representantes de partidos políticos, federações partidárias, do Ministério Público Eleitoral e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) poderão acompanhar o reprocessamento, conforme a convocação da Justiça Eleitoral. Eventuais decisões posteriores do TSE, proferidas até o horário previsto para o procedimento, também serão consideradas, podendo modificar novamente a situação das candidaturas ou a destinação dos votos.
Candidatura de Jerson Domingos
O TSE negou o registro da candidatura de Jerson Domingos após analisar o recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou suposta ligação do candidato com organização criminosa investigada pela Operação Omertà. Segundo a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Domingos teria praticado atos que impedem ou dificultam investigações sobre a organização, em circunstância agravada.
O Ministério Público informou que Jerson Domingos foi denunciado e responde a um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Procuradoria Eleitoral argumentou que a rejeição do registro era necessária para impedir a influência de organizações criminosas no pleito. Os ministros do TSE acolheram o recurso por unanimidade, tornando definitiva a decisão de indeferimento.
Na lista de resultados do primeiro turno, antes da anulação, Jerson Domingos figurava como suplente da coligação União, com 16.884 votos. Outros suplentes da mesma coligação incluem Dione Hashioka (15.244 votos), Bárbara Resende (4.027 votos) e Juliana Aranda da RU Uniformes (2.482 votos). A exclusão dos votos de Domingos pode promover a ascensão de um desses candidatos à condição de suplente, ou ainda alterar a ordem de chamada dos demais.
Entre os eleitos da coligação União, destaca‑se o professor Rinaldo Modesto, que recebeu 23.763 votos. No Partido Progressista (PP), foram eleitos Gerson Claro (35.767 votos), Londres Machado (33.581 votos) e Hélio Peluffo (31.435 votos), com uma lista de suplentes que inclui o professor Marcelo Miranda (23.112 votos) e Santullo da Tereza (14.245 votos). O candidato Jamilson Name, que recebeu 35.211 votos, teve sua candidatura anulada e permanece sub judice.
O reprocessamento da totalização, portanto, tem potencial para modificar a composição das bancas eleitas e a ordem de chamada dos suplentes, impactando diretamente a representatividade política do estado. A expectativa é de que o relatório final seja divulgado ainda no mesmo dia, permitindo que os partidos ajustem suas estratégias e que os eleitos tomem posse conforme o calendário legislativo.
Com a decisão do TSE e o subsequente recálculo, a Justiça Eleitoral reforça o princípio de lisura nas eleições, ao impedir que candidatos com pendências judiciais participem do pleito. O acompanhamento público do procedimento será fundamental para garantir transparência e confiança no resultado final das eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul.








