O prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia (PP), publicou um vídeo na tarde deste sábado (17) para responder às críticas do deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB). O foco da disputa é a contratação do Sindicato Rural para organizar a Cavalgada Sul-mato-grossense de Arapuá, realizada neste sábado e domingo (18). Cassiano defendeu a transparência do processo e acusou o antecessor de utilizar o evento para promoção política pessoal.
A manifestação ocorreu após Guerreiro questionar a escolha do Sindicato Rural e o valor gasto com a festa. O ex-prefeito também mencionou a participação de uma associação ligada à organização em edições anteriores. Em resposta, Cassiano afirmou que a contratação seguiu um procedimento público que garantiu igualdade de oportunidades. Segundo o prefeito, o Sindicato Rural venceu a licitação e outras entidades, incluindo a associação citada por Guerreiro, podiam ter concorrido.
Defesa da licitação
Cassiano destacou a importância da entidade para o município. “O Sindicato Rural é uma entidade histórica e respeitada em todo o nosso município. Participou e ganhou o processo licitatório”, declarou. O prefeito reforçou que os recursos públicos destinados à festa devem ser aplicados com responsabilidade e transparência, negando irregularidades no procedimento adotado pela administração municipal.
Além da defesa técnica, o prefeito acusou o ex-gestor de tentar manter o controle sobre o evento. Cassiano questionou as condições de higiene e a fiscalização sanitária na preparação de alimentos em anos anteriores. No entanto, o vídeo não apresentou documentos que comprovem essas alegações sobre a gestão passada.
Rompimento político
O embate atual revela um histórico de desentendimentos entre os dois. Cassiano relatou que foi convidado por Guerreiro para integrar a administração municipal, ocupando os cargos de secretário de Saúde, secretário de Finanças e, posteriormente, secretário-geral. O atual prefeito afirmou que contribuiu para o funcionamento da gestão durante esse período a convite do então chefe do Executivo.
Segundo Cassiano, o afastamento começou durante a campanha para a Prefeitura. Ele se comprometeu a estudar a redução da jornada de trabalho dos servidores de oito para seis horas em reunião com sindicatos. Guerreiro discordou do compromisso, o que iniciou o distanciamento político. O prefeito também citou a ausência do ex-gestor na diplomação e na posse, além de acusá-lo de deixar problemas administrativos para a gestão seguinte, como a manutenção de áreas verdes e a iluminação pública.
Outro ponto de atrito mencionado foi a instalação de aparelhos de ar-condicionado nas escolas municipais sem o planejamento prévio da infraestrutura elétrica. A atual administração trabalha para resolver essas pendências, citando a modernização da iluminação com tecnologia LED e a contratação de serviços de manutenção predial para adequações elétricas nas unidades de ensino.
Cassiano contestou a acusação de traição feita por Guerreiro durante a campanha. O prefeito afirmou que o ex-prefeito não aceita a sucessão política e tenta manter protagonismo. “Você não aceita e não ajuda as pessoas que te sucedem”, declarou. Ele defendeu a renovação das lideranças públicas, afirmando que Três Lagoas não pertence a um grupo político específico.
A ausência de Cassiano na campanha de Guerreiro para deputado estadual também foi explicada. O prefeito mencionou um processo judicial relacionado à contratação da coleta de lixo durante a gestão anterior. Ele afirmou que aguarda o desfecho do caso, citando decisões em primeira e segunda instâncias e a possibilidade de novos recursos. Essa questão foi apontada como uma das razões para o afastamento político entre os dois.
A troca de acusações marca a continuidade do conflito após o rompimento. Desde que Cassiano assumiu a Prefeitura, Guerreiro passou a criticar publicamente o sucessor. Até a publicação do vídeo neste sábado, o prefeito evitava comentar diretamente o conflito, optando agora por um posicionamento público e detalhado.







