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Segundo turno em MS tem 12 ocorrências eleitorais e morte em Bonito

Sejusp registrou 12 ocorrências relacionadas a crimes eleitorais no segundo turno em Mato Grosso do Sul e avaliou que a votação ocorreu de forma tranquila na maior parte do Estado. - Foto: Maria Edite Vendas

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 em Mato Grosso do Sul registrou 12 ocorrências relacionadas a crimes eleitorais, conforme balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número representa um aumento em relação ao primeiro turno, que contabilizou oito casos, mas a pasta avaliou que a votação ocorreu de forma tranquila na maior parte do território estadual.

Segundo Wagner Ferreira da Silva, secretário-executivo de Segurança Pública da Sejusp, a maioria dos registros foi de menor potencial ofensivo. As violações do sigilo do voto predominaram, envolvendo eleitores que fotografaram ou filmaram as urnas eletrônicas durante o processo de votação. A prática é considerada crime eleitoral.

Além das quebras de sigilo, foram contabilizados dois casos de boca de urna, prática ilegal de propaganda eleitoral no dia da votação. Houve também uma ocorrência de dano a uma urna eletrônica em Chapadão do Sul, onde as teclas 1 e 3 foram danificadas. O suspeito foi conduzido para os procedimentos necessários na cidade e deverá ser ouvido para responder perante a Justiça Eleitoral.

Mobilização de segurança

Para garantir a ordem durante o pleito, a Sejusp mobilizou 3.348 profissionais, com apoio de 584 viaturas e dois helicópteros. A operação foi planejada para atender aos 1.036 locais de votação e às 7.272 seções eleitorais distribuídas pelas 54 zonas eleitorais do estado. O planejamento incluiu reforço do policiamento em locais de votação, cartórios eleitorais, pontos de totalização dos votos e vias públicas.

O monitoramento foi realizado pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Sejusp, com participação de representantes da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro e Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A ação ocorreu de forma integrada com instituições estaduais e federais, em apoio ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

Wagner Ferreira da Silva afirmou que a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Nunes Marques, não teve impacto significativo no balanço geral da operação. O secretário explicou que o efetivo permaneceu até o final do horário anunciado, aguardando o início da totalização dos votos, sem que novos fatos de gravidade fossem registrados.

Violência em Bonito e Campo Grande

Apesar da avaliação de tranquilidade no dia da votação, um episódio de violência na véspera mobilizou as forças de segurança em Bonito. Ewerton Rodrigues da Silva, de 34 anos, morreu após ser baleado na noite de sábado (24), depois de uma carreata política. Outro homem, de 30 anos, também foi atingido por disparos e sofreu ferimento no tórax, sendo transferido para uma unidade hospitalar em Campo Grande.

Conforme as informações divulgadas, a confusão começou após um desentendimento envolvendo o motorista de uma caminhonete e o pai de um adolescente de 16 anos. Testemunhas relataram que, durante a briga, o jovem buscou uma arma, voltou ao local e efetuou disparos. Ewerton foi atingido por três tiros e morreu após ser levado ao hospital. O adolescente é apontado como suspeito dos disparos, enquanto o pai dele também é investigado por possível participação na confusão. A Polícia Civil investiga o caso, e os dois não haviam sido localizados durante as buscas iniciais.

O secretário-executivo da Sejusp comentou que, embora a situação tenha ocorrido durante uma manifestação política, não havia evidências de motivação eleitoral no episódio de Bonito. A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte e a responsabilidade dos envolvidos.

Em Campo Grande, após a divulgação do resultado da eleição presidencial, houve um desentendimento na região dos altos da Avenida Afonso Pena. O local reunia apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Vídeos que circularam nas redes sociais mostram uma confusão envolvendo um motorista que passava pelo local em um Chevrolet Onix vermelho com bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT). As imagens registram pessoas arremessando objetos contra o veículo e um homem golpeando o para-brisa com um pedaço de madeira.

Na sequência, o motorista desceu do carro e se envolveu em uma discussão. Durante o confronto, foi atingido por um soco, caiu e bateu a cabeça em outro veículo estacionado. Mesmo no chão, recebeu um chute. As imagens também mostram duas crianças, identificadas como filhas do motorista, chorando e gritando ao presenciarem a agressão. A Polícia Militar foi acionada para conter a situação.

Wagner Ferreira da Silva afirmou que a segurança já havia planejado o acompanhamento dos locais com grande concentração de pessoas em Campo Grande. Ele destacou que a intenção era acompanhar todos os pontos de grande comparecimento na Capital, já que algumas pessoas se instalaram na região desde a tarde. A intervenção policial foi necessária para restabelecer a ordem no local.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), reeleito no primeiro turno, comentou o cenário político após a definição da eleição presidencial. Ao abordar o resultado e os questionamentos sobre o processo eleitoral, ele defendeu o respeito às instituições e ressaltou a possibilidade de contestação dentro dos critérios legais. Riedel afirmou que pretende manter a relação administrativa com o governo federal, independentemente das divergências políticas.

“Nós vamos continuar trabalhando com o governo federal para melhorar Mato Grosso do Sul. Como eu já disse antes, separo muito a discussão política da administrativa”, declarou o governador. A declaração reforça a postura de continuidade nas relações institucionais entre o estado e a União, independentemente do resultado do pleito presidencial.

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