O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), filiado à rede HU Brasil, emitiu um alerta sobre a leishmaniose tegumentar. A instituição destaca que uma pequena lesão na pele, frequentemente confundida com picada de inseto ou espinha, pode ser o primeiro sinal da doença. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves.
A infecção é causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida exclusivamente pela picada do mosquito-palha infectado. Segundo o infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, do Humap-UFMS, a transmissão não ocorre por contato direto entre pessoas, mesmo que haja toque nas lesões. O vetor é pequeno e possui maior atividade no fim da tarde e durante a noite, período de maior risco de exposição.
Evolução das lesões na pele
A leishmaniose cutânea geralmente se inicia com uma alteração discreta na pele. Com o passar das semanas, a lesão tende a crescer, transformando-se em uma ferida arredondada, com bordas elevadas e pouca dor. As regiões mais atingidas são as partes expostas do corpo, como braços, pernas e rosto.
Essas feridas podem permanecer abertas por semanas ou meses. A demora em buscar atendimento médico aumenta o risco de lesões maiores, comprometimento de áreas extensas da pele e formação de cicatrizes permanentes. Por isso, a orientação é procurar avaliação profissional antes que a lesão avance, especialmente quando não há sinais de cicatrização.
Um fator que dificulta o reconhecimento da doença é o período de incubação, que varia de semanas a meses. Uma pessoa pode ter frequentado uma área com transmissão durante viagens, passeios ou atividades rurais e só perceber a ferida muito tempo depois, já de volta à cidade. Essa característica pode atrasar o diagnóstico, principalmente em locais onde a doença não é comum.
“Quando aparecer uma ferida que não cicatriza, é importante lembrar também dos lugares que a pessoa já frequentou nos últimos meses, mesmo que tenha sido apenas durante um passeio”, orienta o infectologista Alexandre Bertucci. Ao buscar ajuda, o paciente deve informar se esteve em chácaras, fazendas, matas ou áreas próximas à vegetação, mesmo que a exposição tenha ocorrido meses antes.
Risco para nariz e boca
Além da pele, a leishmaniose tegumentar pode atingir as mucosas do nariz e da boca. Essa manifestação pode surgir meses ou até anos após a lesão inicial, inclusive quando a ferida cutânea já cicatrizou. Sinais de alerta incluem obstrução nasal persistente, sangramentos e feridas que não fecham nessas regiões.
Nos casos mais graves, pode haver destruição de tecidos, resultando em sequelas importantes. O especialista explica que algumas pessoas apresentam manifestações mucosas anos depois da infecção, o que exige investigação e acompanhamento especializado. O tratamento precoce é essencial para reduzir o risco de evolução e evitar complicações.
Diante de uma ferida suspeita, a recomendação é não esperar que ela aumente ou comece a doer. Pessoas com lesões persistentes, especialmente com bordas elevadas e dificuldade de cicatrização, devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação. O diagnóstico não se baseia apenas na aparência, pois outras doenças podem causar lesões semelhantes.
A investigação considera as características da ferida, o histórico do paciente, os locais frequentados e exames laboratoriais, que confirmam ou descartam a leishmaniose. A doença tem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com medicamentos específicos. A escolha da terapia depende da manifestação clínica e das condições do paciente, sendo desaconselhado o uso de pomadas ou remédios caseiros por conta própria.
A prevenção depende da redução do contato com o mosquito-palha. As medidas recomendadas incluem o uso de repelentes, vestimentas que protejam braços e pernas, instalação de telas em portas e janelas e o uso de mosquiteiros. É importante evitar exposição nos horários de maior atividade do inseto e manter quintais limpos, sem acúmulo de folhas e matéria orgânica.
Fatores ambientais, proximidade com vegetação e atividades rurais podem favorecer o contato com o vetor. Para identificar causas de aumento de casos em uma região, é necessária investigação epidemiológica específica. O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde 2013. A estatal, criada como Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), administra 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação. Diante de uma ferida que não cicatriza, a medida mais importante é procurar atendimento, relatar os locais frequentados e iniciar a investigação correta o quanto antes.







