O Novembro Azul deixou de ser apenas uma campanha ligada ao câncer de próstata e passou a reforçar um alerta mais amplo: os homens precisam cuidar da saúde durante todo o ano, com atenção ao corpo, à mente e à prevenção de doenças em todas as fases da vida.
Em Três Lagoas, os dados da atenção primária mostram que esse cuidado precisa ir além dos exames de próstata e alcançar problemas como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e uso de álcool.
Desafios de saúde masculina
A história do movimento começou em 2003, na Austrália, para chamar a atenção para a saúde masculina. A campanha ganhou força, espalhou‑se pelo mundo e, no Brasil, passou a ter destaque a partir de 2008, inicialmente com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata.
Em Três Lagoas, o diretor de programas de saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Wuendel Corsino de Souza, afirma que o desafio é fazer com que os homens procurem atendimento antes que os problemas avancem. Segundo ele, a rede municipal acompanha pacientes com obesidade, diabetes, câncer e outras condições registradas nas unidades básicas de saúde.
“Eu até brinco que, às vezes, o homem cuida mais do seu automóvel, cuida mais da sua moto do que da própria saúde. E a gente tem que quebrar essa barreira. A gente precisa buscar ajuda na unidade básica de saúde para tentar evitar problemas maiores”, afirmou Wuendel.
De acordo com os dados, o Brasil registra cerca de 78 mil novos casos de câncer de próstata por ano, enquanto Mato Grosso do Sul tem incidência de 1.400 casos anuais. O material não apresenta um número específico de casos para Três Lagoas.
Ações de prevenção
Três Lagoas tem 62.599 homens cadastrados na atenção primária à saúde. Em outro trecho, Wuendel cita mais de 67 mil homens cadastrados nas 17 unidades básicas de saúde do município, mas a divergência entre os dois números não é esclarecida no material. A atenção primária aparece vinculada às unidades básicas de saúde e concentra os registros usados para acompanhar a população masculina no município.
Entre os homens cadastrados, mais de 6.600 convivem com hipertensão arterial, 2.766 têm diabetes e 560 apresentam obesidade. Os registros ainda apontam 2.392 homens identificados como fumantes, 730 que relatam uso de álcool e 206 com uso de outras drogas.
Nas ruas, a reportagem ouviu homens que disseram estar mais atentos à própria saúde. O aposentado João Jorge contou que faz tratamento e toma remédios para controlar problemas de saúde, enquanto o auxiliar de tráfego, Willian Cristopher de Oliveira, afirmou que procura realizar exames todos os anos por causa do histórico familiar. O também aposentado, José Walter dos Santos, relatou que já tem um exame marcado para o dia 27 deste mês e disse estar em tratamento por causa de um problema na perna provocado por acidente.
“Ninguém quer morrer, não”, resumiu Willian, ao comentar que as informações têm levado mais pessoas a buscar cuidados. A mudança de comportamento aparece como sinal de que antigos tabus começam a perder força. A ideia de que homem não adoece, não sente dor ou precisa ser forte o tempo todo vem sendo substituída, aos poucos, pela compreensão de que procurar ajuda médica é uma atitude de responsabilidade.
A Secretaria Municipal de Saúde programou ações ao longo do mês para reforçar o cuidado com a saúde masculina. No dia 8 de novembro, a partir das 6h, será realizada uma corrida na Lagoa Maior, voltada aos homens, com orientações e atendimentos. No dia 14, a programação segue no Creas Coração de Mãe, com atendimento médico voltado à saúde do homem. O encerramento das ações está previsto para o dia 28, na clínica escola da UFMS, em parceria entre a saúde pública de Três Lagoas e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. O recado central da campanha é para que os homens deixem a resistência de lado e procurem uma unidade de saúde antes do aparecimento dos sintomas. A prevenção, no foco do Novembro Azul, passa a ser tratada como compromisso permanente com a vida, a família e o próprio futuro.







