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Associação de revendedores de MS agiliza regularização para evitar bloqueio de crédito em novembro

Andressa Pereira e Rodolfo Carvalho nos estúdios da Massa FM Campo Grande - Foto: Pedro Santos/Portal RCN67

A partir de novembro, bancos e financeiras de todo o país não poderão mais liberar recursos de financiamentos para veículos que não estejam registrados no Registro Nacional de Veículos em Estoque (Renave). O alerta acendeu o mercado automotivo de Mato Grosso do Sul, onde a maior parte das transações de compra e venda de veículos usados e seminovos depende do crédito.

O Renave, plataforma federal que unifica dados de Detrans, secretarias estaduais de Fazenda e Receita Federal, exige que toda entrada e saída de veículos do estoque seja registrada digitalmente e com emissão de nota fiscal. Atualmente em fase assistida de testes, o sistema já demonstra a necessidade de ajustes nas rotinas contábeis e fiscais das revendedoras.

Para evitar que lojas fiquem impedidas de operar, revendedores de veículos em Mato Grosso do Sul criaram a Associação dos Revendedores e Empresas do Mercado Automotivo de Mato Grosso do Sul (AVEMS). A entidade estima que existem cerca de 600 lojas de veículos em atividade no estado, gerando uma cadeia de serviços que inclui funilarias, oficinas mecânicas, tapeçarias e centros de estética automotiva.

Na segunda-feira (5), o diretor comercial da AVEMS, Rodolfo Carvalho, e a diretora jurídica, Andressa Pereira, apresentaram os detalhes da mobilização em entrevista ao vivo no programa Manhã da Massa, da Massa FM Campo Grande.

O objetivo da AVEMS é liderar a transição e garantir que os lojistas cumpram as exigências do Renave antes do bloqueio de crédito. Segundo Carvalho, “Dentro de toda a venda no mercado, uma média de 60% depende de financiamento. A partir de novembro, nenhuma financeira poderá pagar um veículo que não esteja na base do Renave. O lojista precisa se profissionalizar e se organizar, porque senão vai ficar para trás e simplesmente não vai conseguir vender.”

Regulamentação do Renave

O Renave exige a emissão de notas fiscais em cada negociação, o que traz um desafio estrutural para revendedores que operam no Simples Nacional. No regime simplificado, o imposto incide sobre a receita bruta total, podendo gerar até R$ 9 mil de tributo sobre um veículo de R$ 100 mil, consumindo a margem de lucro. Por isso, a AVEMS orienta a migração imediata para o regime de Lucro Presumido, onde o imposto é calculado sobre o ganho real na operação e sobre a alíquota estadual de 1% de ICMS.

Além da adequação fiscal, a união dos revendedores busca valorizar as empresas formais e blindar o cliente contra golpes comuns no setor. Para ingressar na AVEMS, o lojista precisa ter atividade principal (CNAE) de comércio de veículos e comprovar no mínimo três anos de CNPJ ativo. “Não queremos ser apenas uma entidade de representação de classe. Queremos construir uma interlocução técnica e institucional com os órgãos públicos e proteger quem compra. O comprador busca segurança: ele não quer correr o risco de deixar o carro em consignação e o dinheiro sumir, ou cair em armadilhas de empresas de fachada,” destacou Pereira.

Impacto fiscal e operacional

O desembarque em massa de modelos híbridos e elétricos, com forte presença de fabricantes asiáticas, também exige rápida adaptação das lojas. Após um ciclo de mais de dois anos de forte valorização na Tabela Fipe no pós‑pandemia, o mercado passou por uma correção expressiva de valores nos veículos tradicionais a combustão. Por exemplo, utilitários esportivos de grande porte, como a Toyota SW4 Platinum, que chegaram a R$ 480 mil em 2023, hoje são encontrados por cerca de R$ 360 mil.

A chegada prevista de novas marcas no país estimula a competitividade e favorece o consumidor, mas exige qualificação técnica urgente de toda a mão de obra local, de eletricistas e mecânicos aos próprios avaliadores de seminovos.

Revendedores de Campo Grande e do interior interessados em aderir ou buscar orientação técnica podem enviar solicitações pelo e‑mail comercial@avems.com.br ou pelo telefone e WhatsApp (67) 99683‑3843.

Confira a entrevista na íntegra no portal RCN67.

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