Na manhã de sábado (31), uma barcaça vinculada à mineradora LHG Mining afundou no Rio Paraguai, próximo ao Porto Gregório Curvo, na região de Porto Esperança, em Corumbá. O naufrágio liberou carga de minério, formando uma mancha avermelhada na superfície da água. Não houve vítimas, pois a tripulação conseguiu abandonar a embarcação antes que ela submergisse totalmente.
O incidente acontece apenas dois meses depois de um comboio ter colidido com a proteção da ponte da BR-262, também sobre o Rio Paraguai. Na ocasião, a Polícia Civil iniciou investigação para apurar se o comboio excedia as dimensões permitidas, levantando suspeitas de dano ao patrimônio público e crime contra a segurança da navegação.
A Capitania Fluvial do Pantanal abriu um inquérito administrativo para identificar as causas do afundamento e responsabilizar os envolvidos. Enquanto isso, as autoridades ambientais passaram a monitorar a calha do rio.
Monitoramento ambiental
O Ibama e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) iniciaram ações de vigilância. O Ibama alertou que a presença de minério na água pode gerar reações químicas que liberam metais pesados e reduzem os níveis de oxigênio, ameaçando peixes, larvas, ovos e organismos bentônicos. Os fiscais recomendam cuidados especiais na remoção da barcaça para evitar que o material se espalhe novamente com a correnteza, além de monitorar possíveis vazamentos de óleo do motor.
O Imasul instalou pontos de coleta antes, no local e depois do naufrágio, realizando testes laboratoriais de turbidez e parâmetros químicos. Os resultados servirão para avaliar a extensão da contaminação e orientar as medidas corretivas.
Investigação e responsabilidade
O acidente de agosto, que atingiu as estruturas de proteção dos pilares da ponte sobre o Rio Paraguai, já havia colocado a LHG Mining sob escrutínio. A Polícia Civil investigou se o comboio transportava carga acima do limite permitido, considerando possível dano ao patrimônio público e crime contra a segurança da navegação.
Em nota, a LHG Mining informou que a barcaça afundada pertencia a um armador parceiro e que a empresa está apurando as causas do ocorrido no terminal portuário. A mineradora destacou que não houve vítimas, que colabora com as autoridades e com os órgãos ambientais nas medidas necessárias.
As autoridades continuam o monitoramento da água e planejam a remoção segura da embarcação. O desfecho das investigações administrativas e policiais determinará eventuais sanções e medidas de prevenção para evitar novos incidentes na navegação fluvial da região.







