Em Campo Grande, a cobertura vacinal contra o sarampo em crianças alcançou apenas 78,53%, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). O patamar está muito abaixo dos 95% exigidos por autoridades sanitárias para a proteção coletiva. A baixa taxa deixa a população vulnerável a possíveis reintroduções do vírus.
Apesar de Campo Grande não registrar contaminações confirmadas desde 2020, a insuficiência de proteção amplia a vulnerabilidade a infecções externas. A ausência de casos locais não garante imunidade, pois viajantes podem introduzir o vírus em comunidades com baixa cobertura vacinal.
O continente americano vive em 2026 o maior surto de sarampo em mais de três décadas e meia, de acordo com dados monitorados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Até o início de outubro, 17 países e territórios das Américas notificaram 55.792 casos da doença e 77 mortes.
Surto nas Américas
Mais de 95% das ocorrências concentraram-se em Guatemala, México, Peru e Canadá, onde a maioria dos casos foi registrada. Esses países apresentam desafios de vacinação e infraestrutura de saúde que facilitam a propagação do vírus.
Mais de 90% das pessoas infectadas não haviam sido vacinadas ou não possuíam histórico imunológico comprovado, incidindo principalmente na faixa etária de até 19 anos. A falta de imunização em jovens aumenta a probabilidade de surtos locais caso o vírus chegue à cidade.
O Brasil, embora reconhecido internacionalmente como erradicado da transmissão endêmica contínua, já identificou 52 infecções importadas em 2026. Os registros concentram-se em São Paulo (41), Amazonas (10) e Rio de Janeiro (1).
Importação no Brasil
A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, afirmou que a taxa atual deixa a população exposta. “Em Campo Grande, a cobertura vacinal da Tríplice Viral está em torno de 78%, e precisamos avançar para alcançar a meta de 95% e garantir a proteção da população. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo e evitar a reintrodução da doença no município.”
A Tríplice Viral, imunizante padrão do calendário oficial, protege contra sarampo, caxumba e rubéola. As doses são distribuídas gratuitamente pela rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS) e estão disponíveis nas Unidades de Saúde da Família (USF) de Campo Grande. Pais e responsáveis devem apresentar a caderneta nos postos para verificar a necessidade de reforço ou regularização de doses em atraso.
Para reduzir o risco de retorno do sarampo, a Secretaria Municipal de Saúde recomenda que os responsáveis busquem a vacinação completa antes da chegada de viajantes de áreas de alto risco. Aumentar a cobertura vacinal para 95% é essencial para manter a imunidade coletiva e evitar surtos locais.
O cenário atual coloca Campo Grande em alerta, pois a combinação de baixa cobertura vacinal e um surto continental pode levar a uma rápida propagação do vírus. A Secretaria continua monitorando a situação e planeja campanhas de vacinação intensificadas nas próximas semanas.








