O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi detido na manhã desta quinta-feira (24) em Campo Grande, durante a Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A ação visa desmantelar um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.
Operação Infiltrados
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Doze agentes de segurança foram presos preventivamente: nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. O MPMS não divulgou oficialmente os nomes dos presos nem informou quantos dos 26 mandados de prisão foram cumpridos até o momento.
Segundo o Gaeco, os investigados desviavam drogas, principalmente cocaína, apreendidas em ocorrências policiais. O desvio ocorria de duas formas: omissão nos registros oficiais de parte da droga recolhida ou retirada direta dos entorpecentes do depósito da delegacia. A droga desviada era repassada a traficantes ligados ao grupo, que a revenderiam no mercado ilegal. O Ministério Público sustenta que os policiais investigados usaram suas funções e o acesso às estruturas de segurança pública para facilitar os desvios.
Esquema de Desvio
A investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas reunidas nas operações Traquetos e Blindspot, que apontaram a participação de policiais no esquema. Hoffman D’Ávila, que tem carreira ligada à repressão ao tráfico, atuou na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) a partir de 2019, onde depois assumiu a titularidade e comandou operações e apreensões de grandes carregamentos de drogas. Ele ficou à frente da especializada até fevereiro de 2026, quando assumiu o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros). Atualmente, está lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande.
Parte dos policiais civis alvos da operação também passou pela Denar, mas hoje trabalha em outras unidades. Houve diligências na Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos) e alvos lotados na DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa) e na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Equipes também cumpriram mandado na casa do delegado, no bairro Carandá Bosque.
A operação contou com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. O Choque atuou em um condomínio em frente ao Shopping Campo Grande. Representantes da OAB/MS acompanharam o cumprimento de um mandado na casa de uma advogada. As prisões são preventivas e temporárias, ou seja, medidas cautelares, e não representam condenação. Os investigados têm direito à defesa durante o inquérito e em eventual processo. A reportagem busca contato com a defesa do delegado e com a Polícia Civil, e o espaço segue aberto para manifestação.








