No último dia de atuação como governador em exercício de Mato Grosso do Sul, o desembargador Dorival Renato Pavan, presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJMS), afirmou que não tem interesse em migrar para a política partidária.
A declaração foi feita na tarde de sexta‑feira, 6, durante a cerimônia de entrega de maquinários agrícolas e rodoviários no pátio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em Campo Grande.
Pavan encerra, nesta sexta, um período de quatro dias à frente do Executivo estadual. Ele assumiu a chefia do governo por ser o terceiro na linha sucessória, após as licenças conjuntas do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), do vice‑governador Barbosinha (Republicanos) e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro (PP).
Comparativo de gestão
Ao analisar a rotina na governadoria, o magistrado comparou a magistratura com a administração pública, destacando a diferença de escala. “É uma experiência totalmente diferente. Uma coisa é presidir o Tribunal de Justiça gerindo 5 mil colaboradores; outra bem diferente é comandar um Estado com 78 mil servidores e toda essa estrutura ampla”, disse.
Ele ainda ressaltou que a caneta do governador pesa mais, pois concentra a arrecadação e distribui recursos para a sociedade. O discurso enfatizou a responsabilidade de gerir um orçamento estadual muito maior que o orçamento do próprio tribunal.
Mesmo elogiando as equipes técnicas e classificando a passagem como enriquecedora, Pavan usou bom humor para afastar qualquer possibilidade de concorrer a cargos eletivos. “Se a política entra pela porta, eu fujo pela janela; se entra pela janela, eu fujo pela porta. Isso não está no meu sangue”, afirmou, acrescentando que seu papel é julgar com “cintura dura de juiz”.
A cerimônia também oficializou a entrega de 14 máquinas e equipamentos rodoviários a nove municípios e a consórcios regionais, reforçando a ação do governo na infraestrutura de transporte rural.
Com o término da licença do titular Eduardo Riedel, prevista para a virada de sexta para sábado, Dorival Pavan retornará à presidência exclusiva do Tribunal de Justiça a partir da próxima semana, encerrando sua breve experiência no Executivo.
A passagem de Pavan ilustra como a Constituição estadual prevê a sucessão temporária do Executivo, garantindo a continuidade da gestão mesmo diante de ausências simultâneas de governador, vice‑governador e presidente da Assembleia. O episódio reforça a separação entre Poder Judiciário e Poder Executivo no estado.







