O Dia do Professor, comemorado nesta quinta-feira (15), serve como marco para refletir sobre a realidade da educação em Três Lagoas. Além das homenagens tradicionais, a data expõe os desafios cotidianos enfrentados por quem atua nas salas de aula. A adaptação às novas tecnologias e a busca por maior valorização profissional estão no centro das conversas entre educadores e representantes sindicais.
Mais do que a transmissão de conteúdos teóricos, o papel do professor envolve o desenvolvimento de habilidades cognitivas e a formação do pensamento crítico. Rafael Furlan, jornalista e professor, destaca que a relação entre educador e aluno é o pilar fundamental para o aprendizado. Para ele, a construção de vínculos baseados em ética, transparência e respeito gera uma sintonia que facilita a absorção do conhecimento.
Furlan ressalta que uma das maiores recompensas da profissão é acompanhar a evolução dos estudantes. Receber mensagens de ex-alunos que ingressaram na universidade ou desenvolveram competências de leitura e escrita reforça o significado do trabalho docente. Esses relatos evidenciam que a educação impacta diretamente na construção dos projetos de vida dos jovens.
Tecnologia e papel da família
A rotina escolar exige constantes adaptações por parte dos profissionais. O acesso rápido à informação e o uso de celulares pelos alunos desafiam os professores a buscar metodologias mais atrativas. Estabelecer rotinas claras é considerado essencial para manter a atenção dos estudantes e consolidar o aprendizado em um ambiente cada vez mais digital.
Além da tecnologia, a participação das famílias é apontada como fator determinante. O trabalho realizado em sala de aula precisa ter continuidade no ambiente doméstico. Tarefas, hábitos de estudo e o acompanhamento dos responsáveis contribuem para o desenvolvimento integral dos alunos. A parceria entre escola e família é vista como indispensável para a construção de uma rotina de estudos eficaz.
Beatriz Paro Aguiar, professora de Ciências Biológicas na Rede Estadual de Ensino, reforça que a formação dos estudantes vai além da disciplina. Conhecer as histórias, vivências e a cultura de cada aluno é essencial para compreender suas necessidades. Segundo ela, o educador lida com seres humanos complexos, ajudando a construir caminhos para que realizem seus sonhos.
A escola também cumpre uma função social de acolhimento e incentivo. Beatriz reconhece, no entanto, que a sobrecarga de trabalho e as situações complexas do cotidiano tornam a profissão desafiadora. Manter um olhar atento às necessidades dos alunos é parte do compromisso de ajudá-los a desenvolver autonomia e a pensar por si mesmos.
Defesa de direitos e remuneração
Os desafios pedagógicos caminham lado a lado com a luta por melhores condições de trabalho. Em Três Lagoas, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinted) destaca conquistas recentes e mantém a defesa de avanços na carreira docente. Adriana Vasconcelos, presidente do sindicato, cita a implantação de um terço da jornada destinado a atividades extraclasse como uma vitória importante para os profissionais da rede municipal.
Atualmente, os professores cumprem 20 horas de trabalho em sala de aula e outras seis horas dedicadas ao planejamento e atividades pedagógicas. Desse período extra, quatro horas são realizadas na unidade escolar e duas são de livre escolha do profissional. Essa estrutura busca garantir tempo para a preparação das aulas e o desenvolvimento de projetos educacionais.
Outro ponto central é a remuneração. Adriana Vasconcelos destaca os avanços no pagamento do piso salarial do magistério para a jornada de 20 horas semanais. A manutenção desse direito é uma das principais reivindicações da entidade. De acordo com a presidente, Três Lagoas ocupa a primeira posição entre os municípios de Mato Grosso do Sul em relação aos salários dos professores, considerando essa política de pagamento.
Apesar dos avanços, a mobilização sindical continua para garantir os direitos conquistados e ampliar as condições da categoria. Adriana Vasconcelos afirma que a docência é a profissão mais importante, mas frequentemente a menos valorizada pelos políticos. No Dia do Professor, o apelo é pela continuidade da luta por reconhecimento e melhores condições de trabalho para os educadores das redes municipal e estadual.








