Mato Grosso do Sul segue em trajetória climática oposta ao restante do Centro-Oeste na reta final de 2026. Enquanto Goiás, Distrito Federal e o centro-norte de Mato Grosso enfrentam alerta de estiagem prolongada, a previsão para o estado sul-mato-grossense aponta volumes de chuva acima da média histórica entre outubro e dezembro.
O cenário foi detalhado na quarta edição do Painel El Niño, relatório conjunto de órgãos federais como Inmet, Inpe, Cemaden, ANA e Censipam. O documento elevou para mais de 95% a probabilidade de o fenômeno atingir o nível “muito forte” neste trimestre, avanço em relação aos 90% estimados na edição de agosto.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) reforça a gravidade do quadro. O órgão alerta que o ciclo atual pode ser o mais severo desde 1950, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico superando em até 2,5 °C a média histórica.
Impacto na agricultura
A projeção sazonal do Censipam destaca uma divisão nítida na região. Nos estados vizinhos, a combinação de calor extremo e falta de água compromete a germinação da primeira safra de soja, milho e feijão. O calendário agrícola nesses locais deve atrasar até meados de novembro, quando as pancadas devem se regularizar.
Em contrapartida, o centro e o sul de Mato Grosso do Sul recebem a instabilidade que atinge o Sul do país. Essa dinâmica garante solo úmido e acumulados pluviométricos acima da média. No restante do estado e em setores do Pantanal, os índices tendem a permanecer próximos da normalidade.
Apesar do alívio nas chuvas, as temperaturas não devem cair. Os termômetros devem registrar marcas acima da média climatológica em todos os 79 municípios do estado ao longo da primavera.
Risco de cheia no Pantanal
A disparidade regional também afeta a rede hidrográfica. Enquanto rios da Amazônia e do Nordeste enfrentam forte vazante, o Alto Rio Paraguai apresenta previsão de vazões superiores à média. Há maior propensão a episódios de cheias nas cabeceiras pantaneiras.
O painel técnico pondera que a dimensão exata de eventuais transbordamentos dependerá da intensidade dos temporais. A tendência é que a subida das águas desacelere em direção a dezembro. A ANA e a Defesa Civil recomendam vigilância contínua por parte de ribeirinhos, pecuaristas e operadores de transporte fluvial.
O calor contínuo mantém o Centro-Oeste entre as regiões com municípios em nível crítico para queimadas. A vegetação seca remanescente do inverno e os ventos na transição para as chuvas mantêm o risco de fogo ativo em pastagens e mata nativa.
O boletim também aponta uma limitação metodológica na bacia pantaneira. A representação de Mato Grosso do Sul na seção de logística fluvial do SipamHidro é parcial, pois nem todas as comunidades e localidades virtuais estavam cadastradas na base de dados até o fechamento do levantamento.
Com o El Niño devendo atuar com intensidade máxima até o primeiro trimestre de 2027, as autoridades recomendam que as prefeituras mantenham planos de contingência atualizados. O monitoramento em tempo real dos alertas meteorológicos é essencial para mitigar impactos na população.







