Na segunda‑feira, 28, o governo dos Estados Unidos anunciou o cancelamento de vistos e a proibição de entrada no país para 27 autoridades, magistrados, promotores, empresários e seus familiares na América do Sul, alegando envolvimento em esquemas de corrupção e facilitação de rotas de narcotráfico.
A determinação foi emitida pelo Departamento de Estado e fundamentada na Lei de Imigração e Nacionalidade norte‑americana. Ela decorre dos compromissos firmados na Cúpula de Doral, onde foi oficializada a aliança regional “Escudo das Américas”, voltada ao combate ao crime organizado nas Américas.
O dispositivo legal autoriza a anulação imediata de autorizações de viagem e impede a concessão de novos vistos a estrangeiros cujas atividades sejam consideradas danosas ou contrárias aos interesses de segurança e política externa dos EUA.
Em comunicado, o Departamento de Estado destacou que a política visa impedir a infiltração do crime organizado em órgãos públicos da região, afirmando que “enfraquecer um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico representa ameaça à segurança e ao Estado de direito nas Américas e não será tolerado”.
Bolívia lidera restrições
A maior concentração de alvos está na Bolívia, que faz fronteira direta com o Mato Grosso do Sul. Ao todo, 21 cidadãos bolivianos foram penalizados: 12 tiveram seus vistos cancelados e nove foram declarados inelegíveis para novos pedidos.
Entre os nomes divulgados estão o ex‑ministro da Justiça e Transparência Institucional, Iván Manolo Lima Magne; as juízas de instrução penal de Santa Cruz e La Guardia, Albania Chane Caballero Saavedra, Rosario Ximena Flores Paniagua e Rodrigo Aldo Vedia Espinoza; os magistrados constitucionais Israel Ramiro Campero Méndez e Iván Ramiro Campero Villalba; o procurador‑chefe de Santa Cruz, Alberto Zeballos Flores; os promotores Martín Daniel Irusta Flores e Álvaro Mauricio Nava Morales Carrasco; o ex‑presidente da Alfândega Nacional, Alberto Samuel Soto de La Vía; o coronel da polícia boliviana Frans William Cabrera Quispe; e o empresário José Luis Iriarte Cussi.
A punição mais dura recaiu sobre o atual procurador‑geral da Bolívia, Roger Mariaca, chefe máximo da acusação penal no país. Diferente dos demais, que tiveram seus vistos suspensos por decisões administrativas que podem ser revistas, Mariaca foi enquadrado em acusação pública nominal de corrupção significativa, com alegação de que cobrou subornos para blindar criminosos violentos e facilitar a atuação do narcotráfico. A sanção, praticamente definitiva, atinge também seus familiares imediatos e serve como alerta para o sistema bancário internacional, dificultando operações financeiras no exterior.
Sanções em outros países
Além da Bolívia, a ordem americana alcançou representantes dos setores político, empresarial e judicial em três países vizinhos. Na Colômbia, tiveram o documento revogado a senadora governista Martha Isabel Peralta Epieyú, ligada à coalizão Pacto Histórico e ao Movimento Alternativo Indígena e Social (MAIS), e o empresário Euclides Antonio Torres Romero, atuante nos setores de infraestrutura e iluminação pública.
No Equador, duas pessoas tiveram a entrada barrada, porém suas identidades não foram divulgadas pelas autoridades norte‑americanas.
No Peru, o cancelamento atingiu o juiz constitucional Juan Carlos Núñez Matos e seus familiares, que agora ficam impedidos de solicitar vistos ou entrar nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado ressaltou que o mecanismo sancionatório tem caráter contínuo. Novas cassações de visto poderão ocorrer caso relatórios de inteligência compartilhados entre os países parceiros apontem outros envolvidos, mantendo a pressão sobre redes de corrupção e tráfico de drogas que, segundo Washington, comprometem a estabilidade democrática da região.







