Moradores de Três Lagoas enfrentam novamente o transbordo de esgoto em ruas e avenidas da cidade. O problema, que persiste nos últimos meses, gera mau cheiro intenso, dificulta a circulação e levanta alertas sobre riscos à saúde pública. Apesar de a rede coletora cobrir cerca de 99% do município, extravasamentos continuam ocorrendo em pontos isolados, incluindo vias do bairro da Lapa.
A situação afeta diretamente a rotina de trabalhadores e residentes. Em áreas onde o esgoto escorre pela via, a manutenção da rotina diária torna-se difícil. A cobrança da população é por uma solução estrutural e definitiva, não apenas por reparos pontuais que não resolvem a recorrência do problema.
Causas identificadas
Segundo Adilson Bahia, gerente regional da Sanesul em Três Lagoas, uma das principais causas dos extravasamentos é o furto de fiação elétrica em elevatórias de esgoto. Nos últimos 60 dias, a unidade registrou 61 furtos em nove elevatórias. O crime ocorre mesmo com as unidades operacionais monitoradas por câmeras e sistemas de alarme.
Quando a fiação é subtraída, a elevatória para de funcionar até o restabelecimento do sistema. Uma única unidade pode atender uma bacia com milhares de ligações. Nesse intervalo de inatividade, diversos pontos da rede podem começar a extravasar, espalhando o esgoto pelas vias públicas.
“Estamos com um problema sério. Apesar das nossas unidades operacionais serem monitoradas com câmera e alarme, essas pessoas fizeram 61 furtos nesses últimos 60 dias”, afirmou o gerente regional. A estrutura de elevatórias é essencial para a cidade, que possui 32 unidades devido ao relevo plano. Essas instalações ajudam a conduzir o esgoto até as estações de tratamento, vencendo a baixa declividade natural do terreno.
Descarte irregular agrava quadro
Além dos furtos, o descarte irregular de resíduos também compromete o sistema. A rede de esgoto deve receber apenas água servida, ou seja, a água utilizada nas residências. O lançamento de resíduos sólidos provoca obstruções na tubulação. Entre os materiais encontrados na rede, estão cabelo, cotonetes, absorventes e outros itens que não deveriam ser lançados no sistema.
A gordura das residências também é um fator de risco. Quando não há caixa de gordura adequada, o material forma placas em poços de visita. Isso exige ações preventivas de desobstrução constantes. Questionado sobre a possibilidade de a tubulação não comportar o volume de esgoto produzido na cidade, o gerente da Sanesul afirmou que essa hipótese não procede.
De acordo com a companhia, os projetos de rede e de elevatórias passam por equipe técnica de engenharia e são dimensionados para atender a demanda de cada bacia. As obras seguem procedimentos técnicos e metodologias de engenharia, tanto na implantação da rede quanto na construção das elevatórias.
O volume de chuvas do período, associado ao fenômeno El Niño, também contribui para os transbordamentos. Muitas residências ainda ligam a água pluvial à rede de esgoto, embora o sistema não tenha sido projetado para receber água da chuva. Na Orla da Lagoa, onde há um sistema de esgoto com cerca de 30 anos, a situação fica mais evidente durante os períodos de chuva.
A orientação da Sanesul é que os moradores retirem esse tipo de ligação irregular. A rede de esgoto deve receber apenas a água servida da casa, enquanto a água da chuva precisa seguir pela drenagem. Para reduzir os transtornos imediatos, uma empresa terceirizada percorre os bairros da cidade realizando serviços de drenagem do esgoto que extravasa da rede.
A reportagem não informa um prazo específico para uma solução definitiva. Enquanto os atendimentos seguem nos bairros, a cobrança dos moradores permanece para que o problema deixe de se repetir e a rede funcione sem novos extravasamentos. O comerciante Marco Antônio Gonçalves, que atua na região há três anos e residiu no local por 20 anos, relatou a constância do problema. “Não é fácil trabalhar com esse mau cheiro. Já pedimos várias vezes, o pessoal dá uma solução, mas está difícil”, disse.








