O governador Eduardo Riedel (PP) inicia o segundo mandato em 2027 com a maior base parlamentar já registrada em Mato Grosso do Sul. A coligação que garantiu sua reeleição ocupará 20 das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. No cenário federal, os aliados controlam 7 das 8 vagas do Estado na Câmara dos Deputados e os dois mandatos em disputa no Senado. A oposição formal fica restrita ao PT, que elegeu quatro deputados estaduais e uma deputada federal.
Apesar da amplitude numérica, a configuração traz uma mudança estrutural no equilíbrio de forças. O Partido Liberal (PL) deixou de ser um aliado coadjuvante para se tornar peça central. A sigla elegeu nove deputados estaduais sozinha, enquanto o PP, partido do governador, conquistou três cadeiras. Sem os votos do PL, a base aliada somaria apenas 11 deputados, número inferior aos 13 necessários para garantir a maioria absoluta na Casa.
Mudança de alianças
Riedel foi reeleito no primeiro turno com 914.323 votos, o que representa 67,07% dos votos válidos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, a vitória ocorreu no segundo turno, quando ele superou Capitão Contar com 56,90% dos votos. Desde então, o governador reestruturou seu arco de alianças. Em agosto de 2025, ele deixou o PSDB, onde exercia o cargo de vice-presidente nacional, e filiou-se ao PP. Informações do portal Poder360 indicam que ele também era cortejado pelo PSD e pelo PL.
A coligação de 2026 reuniu dez partidos: PP, União Brasil, PL, Cidadania, PSDB, Podemos, Avante, Republicanos, PSD e MDB. O ex-governador Reinaldo Azambuja, que comandou o governo entre 2015 e 2022 e foi mentor político de Riedel, trocou o PSDB pelo PL. Azambuja assumiu a presidência da sigla no Estado e foi fundamental para costurar a aliança que sustentou a candidatura do governador.
Desafios na Assembleia
Na Assembleia Legislativa, a margem de segurança é confortável no papel. Com 20 aliados, o governo possui votos suficientes para aprovar projetos de lei, orçamentos e empréstimos. A oposição não tem número suficiente para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sozinha. A disputa pela presidência da Casa também tende a ficar restrita à base governista. Segundo o portal Investiga MS, os principais interessados no cargo são Paulo Corrêa (PL), ex-presidente da Assembleia; Pedro Caravina (PSDB), ex-secretário de Governo de Riedel; e Coronel David (PL).
O atual presidente, Gerson Claro (PP), não pode concorrer a um novo mandato na presidência e mira a primeira-secretaria. A mesma pretensão é de Zé Teixeira (PL), o deputado mais votado do Estado. Em Brasília, a bancada federal também é majoritariamente alinhada ao governador, com sete dos oito deputados federais pertencentes a partidos aliados. Somados aos dois senadores, o Estado terá forte representação para defender recursos e projetos regionais no Congresso Nacional.
A mudança mais visível ocorre no Senado, onde os dois eleitos são do PL e integraram a chapa do governador. Reinaldo Azambuja obteve 903.554 votos, enquanto Capitão Contar recebeu 856.045. Contar foi o adversário de Riedel no segundo turno de 2022. Ele voltou ao PL em novembro de 2025 e passou a defender a unidade da direita contra o PT. Durante a campanha de 2026, Contar dividiu palanque com Riedel e Azambuja, consolidando a aliança.
O primeiro ponto de atenção para o novo mandato é o peso político do PL. Como a maioria absoluta depende dos nove deputados do partido, a sigla ganha força para negociar cargos no governo, a composição da Mesa Diretora da Assembleia e as prioridades no orçamento. A eleição da Mesa, prevista para fevereiro de 2027, será o primeiro teste prático dessa relação. Dois dos três principais interessados na presidência da Casa são do PL.
Outro fator relevante é a sucessão de 2030. Embora pareça cedo, a política já projeta cenários para o próximo ciclo. O fim do mandato de Riedel tende a acelerar a disputa interna pela candidatura ao governo. Reinaldo Azambuja figura como nome forte para dar continuidade ao projeto político do grupo, que agora reúne dois senadores recém-eleitos e a maior bancada da Assembleia. A relação com o governo federal também dependerá do resultado do segundo turno presidencial.
Riedel declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que a equipe de governo de MS conversará com a campanha do candidato para colaborar nas semanas finais. O governador disse que é o momento de reestruturar o plano federal e pensar em novos rumos. Se Flávio Bolsonaro vencer, Riedel terá aliados no Palácio do Planalto, na bancada federal e na Assembleia. Se Lula for reeleito, o governador iniciará o segundo mandato na oposição ao governo federal. Nesse cenário, a bancada do PT, minoritária no Estado, ganhará papel de canal de articulação com Brasília.
Em entrevistas após a vitória, Riedel citou como prioridades a infraestrutura rodoviária, a reorganização administrativa para otimizar recursos e a atenção à arrecadação de ICMS, que sofre com a queda na importação de gás boliviano. Parte dessas medidas depende de aprovação na Assembleia Legislativa ou de articulação direta com o governo federal. A composição final da Assembleia pode sofrer alterações. Os votos do deputado Jamilson Name (PP) estão sub judice, e uma decisão da Justiça Eleitoral pode recalcular a distribuição das vagas. O novo mandato de Riedel começa em janeiro de 2027, e os deputados e senadores tomam posse em fevereiro.








