A concessionária Caminhos da Celulose iniciou nesta segunda-feira (26) a operação de uma frota com 56 veículos para atender usuários de 870,3 quilômetros de rodovias em Mato Grosso do Sul. A estrutura marca o início da fase operacional da chamada Rota da Celulose, um corredor estratégico que abrange trechos das rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267.
O evento de apresentação ocorreu no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. A nova estrutura reúne ambulâncias, guinchos leves e pesados, veículos de inspeção e supervisão, além de caminhões de apoio operacional. O objetivo é ampliar a segurança e melhorar o atendimento aos motoristas que circulam pela região.
O governador Eduardo Riedel (PSDB) destacou a importância da implantação para o estado. Segundo ele, a operação envolve equipes treinadas e a contratação de aproximadamente 200 profissionais. Riedel afirmou que o marco representa o início de uma nova etapa na infraestrutura rodoviária, focada na segurança e no socorro rápido.
“Esse marco agora do início da operação só vai melhorar as unidades que estão sendo construídas fisicamente. Vão operar em modelo temporário, mas com todos os equipamentos e equipe treinada, 200 pessoas contratadas, para dar aquilo que é mais importante no nosso estado: a segurança para as pessoas, o atendimento e o socorro”, declarou o governador.
Duplicação da BR-262
Entre as principais intervenções previstas no contrato está a duplicação da BR-262, no trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Luiz Fernando De Donno, diretor-presidente da Caminhos da Celulose, informou que os primeiros 10 quilômetros de duplicação devem começar em 2027. O executivo explicou que o projeto já está em andamento, apesar dos desafios técnicos causados por interferências ao longo da rodovia.
“Feita a duplicação, está prevista para começar já no ano que vem, em 2027, com 10 quilômetros de duplicação a partir de Campo Grande em direção a Ribas do Rio Pardo. Nós já estamos trabalhando no projeto”, afirmou De Donno. O planejamento da concessão prevê mais de 100 quilômetros de duplicação na BR-262 até Ribas do Rio Pardo, além de outras obras para melhorar as condições de tráfego.
O diretor-presidente também citou a implantação de acostamentos na MS-040 como uma medida crucial para reduzir riscos. Ele destacou que os acostamentos trazem segurança para o tráfego de pessoas e que as intervenções devem modificar as características das rodovias, proporcionando mais conforto aos usuários.
A frota operacional foi distribuída conforme as necessidades de atendimento ao longo dos trechos concedidos. A composição inclui 13 ambulâncias de resgate, 13 guinchos leves, seis guinchos pesados, sete veículos de inspeção, sete veículos de supervisão operacional, cinco caminhões-pipa e cinco caminhões guindauto/boiadeiro.
Recuperação e fiscalização
De Donno ressaltou que a característica logística da região exige equipamentos preparados para lidar com veículos pesados, incluindo bitrens e rodotrens utilizados no escoamento da produção industrial, especialmente a celulose. “Temos uma preocupação adicional não só na preparação da infraestrutura da rodovia para ser compatível com o tipo de tráfego que circula, mas também com os recursos”, disse. Os guinchos pesados são essenciais para atender às particularidades desse corredor rodoviário.
Além dos serviços de atendimento, a concessionária realiza a recuperação do pavimento nos trechos sob sua responsabilidade. Segundo De Donno, mais da metade da malha rodoviária já passou por intervenções. O trabalho inclui a fresagem, procedimento em que partes danificadas do pavimento são removidas antes da aplicação de uma nova camada de asfalto, garantindo a durabilidade da estrada.
“Não é simplesmente colocar uma capa de asfalto por cima de um defeito. Nós estamos retirando os defeitos da base, fazendo o que a gente chama de fresagem e depois recomposição”, explicou o diretor. A concessionária informou que os serviços continuarão nos próximos ciclos de trabalho para melhorar as condições de circulação.
Outro serviço destacado é a roçada às margens das rodovias. Carlos Alberto de Assis, diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems), informou que a empresa tem prazo até 6 de novembro para concluir a roçada em toda a extensão concedida. O órgão regulador acompanha a execução das obrigações contratuais e pode aplicar penalidades caso os prazos não sejam cumpridos.
O descumprimento das normas também pode provocar atraso no início da cobrança de pedágio, prevista para fevereiro de 2027. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) avalia que a implantação da estrutura contribui para a segurança viária. João Paulo Pinheiro Bueno, superintendente da PRF em MS, afirmou que a presença de equipes operacionais e recursos tecnológicos amplia a capacidade de atendimento nas rodovias.
“Quanto mais gente tiver trabalhando, quanto mais tivermos operacionalização, veículos de apoio, guinchos e câmeras, para nós é uma contribuição essencial”, disse Bueno. O superintendente destacou que a conectividade ao longo das estradas é importante tanto para os usuários quanto para as forças de segurança, ajudando a reduzir sinistros graves.
Formalizada em fevereiro de 2026, a concessão da Rota da Celulose tem prazo de 30 anos e prevê aproximadamente R$ 10,1 bilhões em investimentos ao longo do contrato. O projeto contempla terceiras faixas, acostamentos, contornos urbanos, melhorias no pavimento e na sinalização, além de estruturas para proteção da fauna. A entrada em operação da frota é uma das etapas de implantação, enquanto a execução das obras segue sob acompanhamento da agência reguladora estadual.







