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Falar sobre morte é alerta para buscar ajuda, orienta psicóloga da UFGD

Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

Rafaela Perez, psicóloga do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU‑UFGD), alertou que falas sobre morte ou sobre não querer mais viver devem ser levadas a sério e interpretadas como sinal para buscar ajuda. A orientação faz parte das recomendações da rede HU Brasil, que reúne hospitais universitários federais, e foi divulgada no mês do Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado em 10 de outubro.

Segundo a psicóloga, familiares e amigos precisam identificar quando o sofrimento deixa de ser passageiro. Mudanças de comportamento, isolamento social e crises persistentes são alguns dos pontos de atenção apontados pelos especialistas. A mensagem visa evitar que sinais de alerta sejam ignorados até que a situação se torne crítica.

Um dos maiores mitos, segundo Rafaela Perez, é a crença de que quem pretende suicidar‑se não avisa. Ela afirma que, ao contrário, falas relacionadas à morte ou comportamentos que indiquem risco devem ser encarados como um pedido de socorro, e não como um alerta vazio. A profissional reforça que a reação correta é oferecer apoio imediato, sem esperar que a pessoa se recupere sozinha.

Rafaela também refuta a ideia de que perguntar sobre suicídio pode gerar a ideia na mente da pessoa. Ela defende que abrir um espaço de conversa responsável e acolhedor permite que o sofrimento seja externalizado, facilitando a busca por ajuda profissional. O objetivo é criar um ambiente onde o indivíduo se sinta ouvido e compreendido.

Sinais de alerta

Marcos Portela, psicólogo do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC‑UFPR), recomenda primeiro distinguir se o sofrimento é agudo ou crônico. O sofrimento agudo nasce de situações inevitáveis, porém temporárias, como a perda de um ente querido, uma doença súbita, derrotas esportivas, eleitorais ou amorosas, e projetos frustrados, como não conseguir engravidar, passar no vestibular ou no teste do Detran.

Já o sofrimento crônico resulta da intensificação de situações não elaboradas e de condições psicopatológicas. Exemplos citados incluem o viúvo que se afasta de todas as relações, o candidato a motorista que tem crises de pânico ao entrar no carro, ou a mãe que perdeu o filho e permanece reclusa por anos. Em ambos os casos, Portela orienta que a postura de quem está próximo deve ser de acolhimento e escuta, e que, se houver suspeita de necessidade de apoio profissional, a primeira pergunta deve ser direta: “Você quer ajuda?”. Em situações graves, a recomendação é insistir, pois uma recusa inicial não encerra a conversa.

Quando buscar ajuda

Betty Nesanelovicz, psiquiatra do Hospital Universitário dos Servidores do Estado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Huse‑Unirio), elenca sinais que ajudam a avaliar a necessidade de intervenção profissional, ressaltando que nenhum deles deve ser interpretado isoladamente. Entre os sinais que indicam a necessidade de acolhimento e observação estão: mudança de comportamento por curto período, crise de raiva passageira coerente com situação de estresse, silêncio temporário, capacidade de interagir e pedir ajuda mesmo em sofrimento, clareza ao expressar sentimentos, manutenção da rotina e das atividades habituais, afirmação de que não tem vontade de morrer ou de matar, e pensamento em soluções para o sofrimento que requer ajuda.

Os indicadores que apontam para a hora de intervir incluem: alteração brusca de comportamento, abuso de substâncias, descontrole emocional persistente mesmo sem motivo grave, fala ou comportamento muito estranho, postura quase catatônica, falas relacionadas ao suicídio, automutilação, restrição alimentar e descuido com higiene pessoal, problema de saúde sem diagnóstico clínico, impressão de ouvir vozes ou de estar sendo perseguido, medo de sair de casa, oscilação constante de humor e comportamento, comportamento de risco para si ou para outros, incapacidade de se acalmar em momentos de agitação, agressividade, paranoia, explosão ou ameaça, sumiços e viagens sem dar satisfação, falas sobre cometer crimes, perda de memória percebida apenas por terceiros e mentiras frequentes. Nesanelovicz enfatiza que cada caso exige análise do contexto, pois padrões emocionais variam de pessoa para pessoa e ao longo da vida.

Para quem identifica algum dos sinais acima, a recomendação é buscar ajuda imediatamente. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 188 ou pelo chat em cvv.org.br. Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), vinculados ao SUS, também são portas de entrada para o tratamento. Em situações de emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192.

O alerta das instituições universitárias reforça a importância de que familiares, amigos e colegas de trabalho estejam atentos aos sinais verbais e comportamentais que podem indicar risco de suicídio. A vigilância constante, aliada a uma escuta empática e à oferta de apoio profissional, pode salvar vidas e prevenir que o sofrimento evolua para situações irreversíveis.

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