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Casa de Reza Ongusu é inaugurada durante a quinta rodada do Festival de Música Indígena em Dourados

A aldeia Panambizinho, localizada em Dourados (MS), sedia nesta quinta-feira (15) a quinta rodada do Festival de Música Indígena, que tem como ponto alto a inauguração da Casa de Reza Ongusu. O espaço sagrado, também conhecido como óga pysy, será aberto ao público na sexta-feira (16) às 13h30, marcando um momento de celebração da espiritualidade e da cultura Guarani Kaiowá.

A Casa de Reza Ongusu funciona como centro de espiritualidade, encontro e transmissão de saberes entre gerações. Nela são realizadas rezas, cantos, danças tradicionais e reuniões comunitárias, sempre sob a condução de lideranças espirituais e dos mais velhos. Sua existência está intimamente ligada ao Tekoha, território tradicional do povo Guarani Kaiowá, e ao Teko porã, princípio que busca uma vida harmoniosa em comunidade e com a natureza.

Resistência cultural

A inauguração reforça a resistência cultural indígena diante de episódios de intolerância religiosa registrados em Mato Grosso do Sul. Em 2024, casas de reza foram destruídas por incêndios em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados, caso que está sendo investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ação criminosa. Nesse cenário, a nova construção em Panambizinho simboliza a continuidade dos saberes ancestrais e a força da memória coletiva.

A parceria entre o Espaço de Cultura e Arte Casulo e o povo Guarani Kaiowá é um dos pilares do festival. Julia Aissa, coordenadora do Casulo, destaca que a colaboração é essencial para construir pontes entre diferentes realidades e ampliar o reconhecimento das culturas originárias. Segundo Aissa, mais de 300 indígenas de outras comunidades chegaram de ônibus, formando caravanas que reforçam a presença indígena no evento.

Programação e apoio

Cris Lossate Kaiowá, artista e representante da comunidade, ressalta a importância do festival para a valorização dos artistas indígenas, que muitas vezes não são reconhecidos fora de seus territórios. Ela afirma que a programação foi pensada para que os artistas se sintam acolhidos e valorizados pela comunidade, fortalecendo a identidade cultural.

Na quinta-feira (15), a programação começou com oficinas de saberes tradicionais, artesanatos e práticas Kaiowá realizadas na própria Casa de Reza Ongusu. As atividades incluíram confecção de artesanato, vestimentas tradicionais, grafismo corporal, construção com taquara, produção de enfeites para a Casa Kaiowá e audiovisual, todas coordenadas por Cris Lossate Kaiowá. Às 16h, o público pôde assistir à apresentação teatral “Luma e a Estrela Mágica”, encenada pelo Itan Grupo de Teatro.

Na sexta-feira (16), a agenda previa um plantio coletivo às 8h, seguido da cerimônia de inauguração da Casa de Reza Ongusu às 13h30, com a condução dos anfitriões Ñanderu Nivaldo e Nhandesi Feneida. O evento contou com a presença de autoridades, lideranças espirituais e visitantes de diferentes regiões, reforçando o caráter inclusivo da celebração.

Aline Di Salvo, chefe da Divisão Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso do Sul (Iphan‑MS), destacou a relevância do festival para a salvaguarda do patrimônio cultural indígena. Ela afirmou que o Iphan‑MS participará como convidado, reconhecendo o papel fundamental do Casulo na proteção e difusão do patrimônio cultural do estado.

O sábado (17) trouxe rodas de conversa das 13h30 às 17h30 na Casa de Reza Ongusu, abordando o Protocolo de Consulta com Comunidades Indígenas com o professor Sebastian, da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD (FAIND/UFGD), e o Inventário Nacional das Referências Culturais e da Diversidade Linguística, com a participação do Iphan, de pesquisadores indígenas e do Casulo. À noite, a partir das 19h, o Espaço Cultural Tembólo recebeu a Noite Cultural, com show de Rozelaine Souza Guarani às 21h e apresentação do DJ Jhones às 23h.

Rozelaine Souza Guarani, cantora do evento, ressaltou que o festival é essencial para manter vivos os cantos, a língua e os conhecimentos ancestrais do povo Guarani Kaiowá. Ela descreveu o festival como um espaço onde a música se torna identidade e voz dos povos indígenas, projetando a cultura para o mundo.

O Festival de Música Indígena conta com investimento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), e é executado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). O apoio também vem do Núcleo de Arte e Cultura da UFGD (NAC/UFGD), da UEMS de Dourados, da ADUEMS, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Escola Municipal Indígena Pai Chiquito. Mais informações são divulgadas pelo Instagram @casulodourados.

Serviço: Festival de Música Indígena – 5ª rodada. Local: Aldeia Panambizinho, Dourados (MS). Programação: quinta (15) – oficinas e teatro; sexta (16) – plantio coletivo, inauguração da Casa de Reza Ongusu; sábado (17) – rodas de conversa das 13h30 às 17h30, Noite Cultural a partir das 19h, show de Rozelaine Souza às 21h e DJ Jhones às 23h. Contato: Instagram @casulodourados.

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