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Cientista político analisa força de Riedel e avanço da direita em MS

Daniel Miranda, no estúdio da Rádio Massa FM Campo Grande Foto: Ana Lorena Franco/ Portal RCN67

O resultado das eleições em Mato Grosso do Sul consolidou a posição do grupo político liderado pelo governador Eduardo Riedel (PP). A avaliação é do cientista político e social Daniel Miranda, que analisou o cenário pós-eleitoral em entrevista à Rádio Massa FM. Para o especialista, o desempenho de Riedel, eleito com 914.323 votos, o equivalente a 67,07% do total, reflete uma construção política que se estende por cerca de dez anos.

Miranda destaca que essa estrutura começou a ser formada durante o governo de Reinaldo Azambuja (PL) e ganhou força com a união de diferentes lideranças. Segundo ele, trata-se de uma vitória do grupo político em torno de Riedel, e não apenas do governador. A aproximação de antigos adversários, como Capitão Contar (PL), que disputou o Senado neste ano e concorreu contra Riedel ao governo em 2022, ilustra essa mudança de cenário.

O especialista argumenta que a convergência de lideranças que antes estavam em lados opostos fortaleceu os dois principais campos ideológicos no estado. Essa dinâmica reduziu o espaço para candidaturas de terceira via e consolidou a polarização política local. A estratégia de alianças permitiu reunir setores da direita em torno de objetivos comuns, diminuindo o risco de divisão de votos e ampliando a capacidade de articulação da base governista.

Fatores econômicos e sociais

A estrutura econômica de Mato Grosso do Sul, marcada pela força do agronegócio, é apontada por Miranda como um dos fatores que explicam o desempenho da direita. O setor tem peso na construção de discursos sobre desenvolvimento econômico, geração de empregos e atração de investimentos. Para o cientista político, a direita se apresenta como a força que melhor entende essas atividades e que garantiria um desenvolvimento mais livre dessas cadeias produtivas.

Contudo, Miranda ressalta que esse alinhamento não significa unanimidade dentro do agronegócio. Parte do setor atua de maneira pragmática, ajustando sua posição conforme os interesses econômicos de cada momento. Outro eixo importante para a identificação do eleitorado com os grupos conservadores é a segurança pública. A condição de estado de fronteira amplia a receptividade a discursos que priorizam o combate à criminalidade e a proteção da população.

Na avaliação do especialista, agronegócio e segurança pública são os principais eixos utilizados pela direita para dialogar com os sul-mato-grossenses. A formação de alianças também reflete cálculos eleitorais dos partidos e a percepção de que candidaturas isoladas perderiam espaço diante de adversários politicamente organizados. Esse movimento fortalece o grupo governista e amplia a influência das lideranças que compõem sua base no estado.

Articulação federal e cenário nacional

A relação entre o governo estadual e o federal também foi tema da análise. Miranda avalia que o reconhecimento dos resultados eleitorais e a disposição para o diálogo podem favorecer negociações institucionais, mesmo havendo divergências ideológicas. Lideranças de Mato Grosso do Sul possuem experiência política para buscar acordos com Brasília em temas de interesse estadual, sem que a articulação fique restrita às afinidades partidárias.

Em âmbito nacional, o especialista aponta o fortalecimento do Congresso Nacional como uma das principais consequências da atual configuração política. O Legislativo vem ampliando sua influência sobre o Orçamento e sobre decisões estratégicas do país. A presença expressiva de partidos de direita e centro-direita pode facilitar a formação de maiorias em determinadas pautas, aumentando o peso do Congresso na relação com o Executivo federal.

Miranda afirma que o grande desafio da próxima legislatura será encontrar um arranjo político que evite que as principais pautas do Brasil sejam engolidas por debates meramente ideológicos. A capacidade de negociação será decisiva para a governabilidade e para garantir o avanço de temas de interesse nacional. O cientista político também destaca os desafios na relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando a necessidade de diálogo e de definição de limites claros para cada Poder.

Uma eventual reforma do Judiciário deve ser construída por meio de negociações políticas, sem se transformar em instrumento de retaliação ou de concentração de poder. Ao analisar o cenário eleitoral nacional, Miranda observa que a direita saiu fortalecida, mas ainda enfrenta o desafio de consolidar uma liderança capaz de representar os diferentes grupos do campo. Ele cita os movimentos em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL), citado como candidato à Presidência da República, em meio aos desdobramentos políticos e judiciais envolvendo seu nome.

Já a esquerda mantém na Presidência da República sua principal força política, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, segundo Miranda, o grupo precisará se reorganizar para os próximos anos. Um dos desafios é a falta de uma sucessão política consolidada que possa assumir o protagonismo. O especialista resume a situação afirmando que a direita saiu vitoriosa, mas não tem uma liderança única, enquanto a esquerda tem uma liderança, mas não saiu vitoriosa nas urnas.

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