O comércio de Campo Grande enfrenta escassez de mão‑de‑obra, com cerca de 2,8 mil vagas em aberto, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande, Adelaido Figueiredo.
A falta de trabalhadores não é mais um problema sazonal de Natal, mas se estende ao longo de todo o ano, comprometendo a rotina das empresas e a capacidade de atender ao aumento de demanda no fim do ano.
Além da escassez, o perfil dos candidatos mudou. Jovens preferem atividades digitais ou administrativas, enquanto a demanda por atendimento presencial diminuiu, refletindo a mudança de expectativas no mercado de trabalho pós‑pandemia.
Adelaido apontou que a saída de mulheres do mercado de trabalho também contribui para a redução de candidatos, agravando a escassez nas áreas de atendimento ao público.
Desafios de remuneração
O salário médio no comércio gira em torno de R$ 2.000, valor que, segundo o representante, muitas vezes não cobre as despesas básicas dos trabalhadores, levando-os a buscar alternativas informais ou horários mais flexíveis.
Para os profissionais que recebem parte da remuneração por comissão, a redução dos dias de funcionamento pode diminuir as oportunidades de venda, estimando Adelaido um impacto de cerca de 20% no sistema econômico do varejo.
A organização das jornadas também preocupa o setor. Enquanto a escala 6×1 era comum, as empresas buscam reorganizar as equipes para a escala 5×2, reduzindo dias de funcionamento em alguns estabelecimentos, como restaurantes que podem fechar às segundas‑feiras.
Apesar das dificuldades, o comércio está disposto a qualificar e treinar novos profissionais, mas exige que os candidatos estejam disponíveis para cumprir as rotinas diárias exigidas pelos lojistas.
Com a proximidade de dezembro, o desafio será conciliar a demanda de fim de ano, a disponibilidade de profissionais e a organização das jornadas sem comprometer o atendimento e a operação dos estabelecimentos, sob risco de elevar custos operacionais e, consequentemente, os preços ao consumidor.







