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Visitas do Senar/MS identificam riscos de saúde e aproximam famílias rurais do SUS

Ettyene Aquino, durante entrevista ao Mob do Grupo RCN Foto: Portal RCN67

Durante a Convenção Senar/MS 2026, realizada em Campo Grande, a técnica de saúde rural Ettyene Aquino destacou, em entrevista ao RCN Mob, como as visitas mensais do Programa Saúde no Campo têm identificado sinais de alerta, como um possível infarto e diagnósticos precoces de câncer, e aproximado cerca de 30 famílias rurais do Sistema Único de Saúde (SUS).

O programa, criado em 2015 no Mato Grosso do Sul, leva informações sobre cuidados com a saúde, alimentação equilibrada e exames preventivos. A equipe visita as propriedades mensalmente, orientando os moradores e incentivando a procura pelos serviços de saúde pública.

A Convenção Senar/MS 2026, que contou com aproximadamente mil participantes do Sistema Famasul/Senar‑MS, foi o cenário escolhido para divulgar os resultados do programa e reforçar a parceria entre a extensão rural e o SUS.

Segundo Aquino, a confiança construída nas conversas permite que os agricultores compartilhem situações delicadas. “A confiança deles na gente, nas nossas orientações, é muito grande”, afirmou, ressaltando que essa relação já possibilitou a detecção de um caso com sinais de infarto e a identificação precoce de tumores em duas famílias.

Visitas mensais

Nas visitas, a equipe não apenas entrega folhetos; ela dialoga, esclarece dúvidas e registra as necessidades de cada família. “Eu estou lá pra passar uma informação, eu tenho que fazer a conexão dele com o Sistema Único de Saúde”, explicou Aquino, que vê sua função como ponte entre a comunidade e o SUS.

O acompanhamento tem duração de 24 meses, período em que os profissionais acompanham a evolução dos indicadores de saúde e reforçam a importância da prevenção. Cada técnico atende diretamente 30 famílias, acompanhando‑as ao longo de dois anos e avaliando mudanças de comportamento relacionadas à alimentação e ao uso de exames preventivos.

O Programa Saúde no Campo não substitui o atendimento médico; sua função é complementar, orientando a população a buscar consultas, exames e vacinas disponíveis na rede pública.

Desafios logísticos

Apesar dos resultados, a equipe enfrenta dificuldades de deslocamento, sobretudo nas épocas de chuva, quando estradas de terra ficam intransitáveis. “Chegar a algumas propriedades pode ser complicado quando a chuva impede o acesso”, relatou Aquino, que precisa adaptar rotas e, em alguns casos, adiar visitas.

Além de levar informação, os profissionais retornam com dados valiosos sobre a realidade do campo. “A gente vai pra entregar informação, conhecimento, promoção de saúde, e a gente volta com a nossa mala muito cheia de muito mais informação do que eu vou levar”, disse, destacando o caráter bidirecional do programa.

Ao avaliar o impacto, Aquino afirmou que percebe uma mudança permanente na relação dos moradores com a saúde e com os serviços públicos. “Eu tenho certeza que tem transformado. E é uma transformação permanente”, concluiu, indicando que o programa seguirá ativo, com novas turmas previstas para iniciar em 2027, ampliando a cobertura no interior do estado.

A próxima edição do programa está prevista para iniciar no primeiro semestre de 2027, com meta de ampliar o número de famílias atendidas em 20%.

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