Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo metropolitano de Campo Grande, apresentou ao Papa Leão XIV o Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida e São Carlos Acutis no Palácio Apostólico, em 31 de outubro. O espaço, reconhecido oficialmente como o primeiro do mundo dedicado ao jovem italiano, foi estruturado a partir da antiga Capela do Milagre, onde ocorreu a cura que viabilizou a beatificação do religioso em 2020.
O encontro, que durou cerca de 15 minutos, marcou a primeira audiência de Dom Dimas com o atual Pontífice. O arcebispo entregou álbuns fotográficos do novo santuário e do Santuário de Adoração Perpétua, que completou 10 anos de funcionamento ininterrupto na Capital.
Segundo o líder religioso sul-mato-grossense, o diálogo com o Papa transcorreu em tom fraternal, apesar das incertezas prévias ligadas ao quadro de saúde de Leão XIV. “Muito acolhedor. Eu não conhecia ainda o Papa Leão pessoalmente. Já é o meu quarto Papa, porque eu vim para Roma para estudar quando o João Paulo II ainda era jovem. (… ) Aliás, o incidente da doença dele quase que atrapalhou tudo. Mas, graças a Deus, ele manteve o nosso encontro e foi, como eu disse, muito acolhedor”, relatou o arcebispo.
Diagnóstico Social
Além da agenda litúrgica que cumpre em dicastérios da Santa Sé até esta quinta-feira (5), Dom Dimas apresentou ao Papa um diagnóstico sobre a realidade social e as vulnerabilidades de Mato Grosso do Sul. O arcebispo destacou a formação demográfica diversa do Estado, influenciada pela fronteira com a Bolívia e o Paraguai, além de fluxos migratórios do Sul do país e de comunidades sírias, libanesas e japonesas.
Ele alertou o Vaticano para o avanço dos cinturões de pobreza nos centros urbanos e os impasses nos assentamentos rurais. “Os desafios são com o crescimento no número de favelas e o isolamento dos povos indígenas, já que existe muito preconceito”, pontuou o arcebispo, acrescentando que “na nossa região está provavelmente a maior concentração de assentamentos do Brasil”.
O jovem Carlo Acutis, nascido em Londres e criado em Milão, faleceu em 12 de outubro de 2006, aos 15 anos, em decorrência de uma leucemia fulminante. Conhecido internacionalmente como o “Padroeiro da Internet” pela utilização de ferramentas digitais para divulgar temas católicos, o jovem foi canonizado em 2025.
A capela campo-grandense que abrigou suas relíquias foi elevada a santuário em 12 de outubro de 2025, data que coincide com o dia da padroeira do país e a celebração de Acutis. A mobilização local em torno do espaço também inspirou a fundação da Escola de Comunicação São Carlos Acutis, que atrai tanto jovens quanto adultos da comunidade.
Dom Dimas concluiu que Acutis não é um santo que tem apenas os jovens como seus seguidores. Muitos adultos recorrem ao Carlos porque acham o santo descomplicado. Ele citou mensagens como “todos nós nascemos originais, mas muitos terminam como fotocópia”, que mostram a perda de identidade e a imitação dos outros.
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