Antes de qualquer procedimento médico ou odontológico, a expectativa do paciente deve ser analisada com atenção. Redes sociais, fotos e relatos de terceiros podem criar uma imagem que nem sempre corresponde ao que é possível alcançar em cada caso.
Quando essa expectativa não se confirma, a frustração pode rapidamente se transformar em conflito. Um resultado diferente do imaginado não significa necessariamente que houve erro profissional.
Medicina e odontologia envolvem riscos, limitações e respostas individuais. Mesmo um procedimento realizado de acordo com a técnica adequada pode apresentar resultado diferente daquele inicialmente esperado.
Diálogo antes do procedimento
A conversa prévia assume papel fundamental. O médico ou dentista deve explicar de maneira clara as possibilidades, limitações, riscos e eventuais intercorrências, especialmente nos tratamentos eletivos e estéticos.
O paciente precisa compreender que cada organismo responde de maneira única e que determinados resultados não podem ser assegurados pelo profissional. A forma como o resultado é apresentado também merece cuidado.
Dizer que algo ficará ‘perfeito’, que será ‘exatamente como na fotografia’ ou que determinada complicação ‘não acontecerá’ pode transformar uma expectativa em promessa difícil de sustentar posteriormente.
Apresentar apenas casos de sucesso, sem esclarecer as particularidades de cada paciente, pode contribuir para uma percepção equivocada sobre o que realmente pode ser alcançado.
O prontuário acompanha essa relação e pode ser importante quando surge uma divergência. Registrar as orientações relevantes, os riscos apresentados, as alternativas discutidas e as características do tratamento demonstra, posteriormente, o que foi esclarecido ao paciente.
Não se trata de transformar o atendimento em preparação para um eventual processo, mas de registrar adequadamente o que foi realizado e discutido.
Se surgir uma reclamação, será necessário compreender o que foi proposto, qual resultado era possível, quais informações foram prestadas, se houve intercorrência e como o procedimento foi conduzido.
A medicina e a odontologia trabalham com seres humanos, não com resultados matematicamente previsíveis. A segurança dessa relação é construída muito antes de uma eventual discussão judicial, a partir de uma conversa clara e honesta entre médico ou dentista e paciente sobre o que pode e o que não pode ser esperado.
Quanto mais realista for esse diálogo, menores serão as chances de que uma expectativa frustrada se transforme em disputa que poderia ter sido evitada.
Luiz Paulo De Castro Areco, advogado, sócio do escritório Areco Advogados Associados e membro da AEDM – Associação dos Escritórios de Defesa Médica, ressalta a importância da comunicação transparente.
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