Este domingo (4), Mato Grosso do Sul entra em cena nas urnas com 2.024.884 eleitores aptos a escolher presidente da República, governador, dois senadores, oito deputados federais e 24 deputados estaduais. A votação definirá quem comandará o Executivo e quem comporá o Legislativo estadual, além da representação do estado em Brasília. A eleição ocorre em um cenário de transformação, onde o crescimento populacional e econômico tem remodelado a estrutura política do estado.
O Censo de 2022 registrou 2.757.013 habitantes em Mato Grosso do Sul. A estimativa mais recente do IBGE aponta 2.946.317 moradores em 2026, um acréscimo de quase 190 mil pessoas em quatro anos. Esse aumento populacional acompanha a expansão de setores industriais e de serviços, refletindo uma mudança no perfil econômico do estado.
Em 2023, o Produto Interno Bruto de Mato Grosso do Sul atingiu R$ 184,4 bilhões, segundo dados do IBGE. O valor coloca o estado entre as maiores economias do país e evidencia a dimensão da atividade produtiva sul-mato-grossense. A pauta econômica tornou‑se mais diversificada: além do agronegócio, a indústria de celulose e papel, mineração, energia, alimentos e transformação industrial ganharam peso.
O comércio exterior também avançou. Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com US$ 10,7 bilhões em exportações, o maior valor já registrado pelo estado. Celulose, soja e carne bovina foram os principais produtos, refletindo a forte presença da agropecuária e da indústria florestal na economia regional.
Exportadores em destaque
Três Lagoas ocupa o centro dessa expansão, liderando as exportações estaduais em 2025 com 19,68% das vendas externas, impulsionada principalmente pela indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo segue na sequência, também com forte participação da atividade florestal e industrial. O crescimento industrial alterou a dinâmica de regiões inteiras, sobretudo na Costa Leste, onde Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo concentram as maiores fábricas de celulose.
Desafios de infraestrutura
O aumento populacional e a expansão industrial intensificam a pressão sobre infraestrutura, logística, energia, rodovias, ferrovias, saúde, educação, segurança e qualificação profissional. A necessidade de escoar a produção e atender novos empreendimentos exige capacidade de investimento e planejamento que ultrapassam um mandato. Esses temas permanecerão no ambiente político dos próximos anos, conferindo à eleição uma dimensão além da escolha do governador.
Para lidar com esses desafios, os futuros governantes terão que priorizar investimentos em infraestrutura de transporte, ampliando a capacidade de carga das rodovias e promovendo a expansão de ferrovias que conectam as regiões produtoras ao mercado interno e externo. Paralelamente, será necessário fortalecer a rede de energia, garantindo abastecimento suficiente para a indústria em expansão e para a crescente demanda residencial e comercial. A saúde e a educação também precisarão de reforço, com novas unidades de atendimento e programas de capacitação profissional para atender a demanda de mão‑de‑obra qualificada.
Na esfera federal, os deputados e senadores escolhidos em 2026 terão papel fundamental na discussão de projetos que afetam o estado, como a aprovação de leis de financiamento de infraestrutura, a definição de prioridades de investimento público e a negociação de recursos federais para programas de saúde, educação e segurança. A bancada estadual também poderá influenciar decisões sobre a manutenção e ampliação de rodovias federais e a implementação de projetos de energia renovável.
Assim, a eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul representa mais do que a escolha de um governador. Ela reflete a consolidação de um estado que cresce em população e riqueza, mas que enfrenta desafios complexos de infraestrutura e planejamento. Os resultados das urnas determinarão quem liderará o desenvolvimento econômico, quem garantirá a qualidade de vida dos cidadãos e quem representará o estado em Brasília, influenciando decisões que afetarão a região nos próximos anos.







