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Frota do Guaicurus chega a 10,4 anos de idade média

Infográfico mostra idade média da frota do Consórcio Guaicurus e dados da manutenção em Campo Grande

Em 2026, o relatório preliminar da intervenção no sistema de transporte coletivo de Campo Grande revelou que a frota do Consórcio Guaicurus possui idade média de 10,4 anos, mais que o dobro do parâmetro de cinco anos previsto no contrato. O levantamento abrangeu 460 ônibus, dos quais 210 foram fabricados até 2015, representando 45,7% do total analisado. A equipe interventora não identificou compra ou venda de veículos entre 2023 e a data-base do documento, indicando ausência de renovação registrada nesse período.

O contrato estabelece que a idade média dos veículos não pode ultrapassar cinco anos, com limite máximo de dez anos para cada ônibus, exceto os articulados, que podem chegar a quinze anos. Assim, embora 210 veículos tenham sido fabricados até 2015, isso não significa automaticamente que todos estejam fora do limite individual previsto, mas a média elevada aponta para uma frota envelhecida em relação ao parâmetro médio definido para o sistema.

A idade média elevada serve como indicador importante para avaliar a capacidade de renovação do transporte coletivo e a pressão que veículos mais antigos podem exercer sobre manutenção, disponibilidade e regularidade da operação. Em prática, a presença de ônibus com mais de dez anos pode aumentar a frequência de falhas e reduzir a confiabilidade do serviço oferecido aos usuários.

Manutenção insuficiente

A intervenção também analisou a estrutura de manutenção. A equipe constatou que as oficinas têm capacidade inferior à exigida pela frota e que o sistema não contava com um programa estruturado de manutenção preventiva e preditiva. O trabalho se concentrou em revisões por quilometragem e em reparos realizados após a identificação de falhas, modelo que atua principalmente quando o problema já aparece, ao contrário da manutenção preventiva que busca reduzir falhas antes que comprometam a operação.

Para melhorar a situação, a equipe recomendou a implementação de um cronograma de manutenção preventiva baseado em quilometragem e condições de desgaste, além de investir em treinamento técnico para os mecânicos. Contudo, a falta de recursos financeiros e a necessidade de cumprir metas de desempenho tornam essa transição complexa, exigindo apoio da administração municipal e do consórcio.

Reorganizar a manutenção pode ampliar a disponibilidade dos ônibus, mas a equipe ressalta que essa medida não substitui a renovação da frota. A compra de veículos exige investimento e, de acordo com o diagnóstico, não pode ser resolvida integralmente durante a gestão temporária. Assim, a falta de renovação permanece como desafio estrutural para o serviço.

O Consórcio Guaicurus contestou as conclusões gerais do relatório preliminar em nota divulgada à imprensa, sustentando que o contrato opera em desequilíbrio econômico‑financeiro e atribuindo à Prefeitura o descumprimento de obrigações que, segundo o consórcio, afetariam o serviço. O relatório preliminar foi encaminhado ao Conselho Municipal de Transportes, que deverá avaliar as recomendações e decidir sobre eventuais ajustes contratuais. Enquanto isso, o Consórcio Guaicurus planeja apresentar um plano de ação para a renovação da frota, buscando recursos junto ao governo estadual e federal, enquanto a Prefeitura pretende revisar o contrato para equilibrar as responsabilidades financeiras e garantir a continuidade do serviço.

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