Os governos do Paraguai e da Bolívia formalizaram nesta terça-feira (22) um acordo com os Estados Unidos e outros 12 países. O pacto classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas. A iniciativa envolve 24 grupos criminosos do continente.
O termo de cooperação foi assinado em Nova York. A aliança, batizada de ‘Escudo das Américas’, reúne 15 nações. Entre elas estão Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Brasil e México não integram o grupo de signatários.
Atuação coordenada
A formalização ocorreu durante encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Ele argumentou que as organizações criminosas atuais rivalizam com os governos em capacidade bélica, financeira e de inteligência. Segundo Rubio, esses grupos são sofisticados e não reconhecem fronteiras.
“Esses grupos hoje são sofisticados. Em muitos casos, rivalizam com o Estado em termos de recursos financeiros, militares ou de inteligência. Eles não reconhecem fronteiras e operam em múltiplos países em coordenação mútua. Se os inimigos da paz estão se articulando, nós também temos a obrigação de agir de forma coordenada”, declarou Rubio.
A declaração oficial estabelece três pilares de atuação: segurança, cooperação econômica e coordenação multilateral. Como primeira ação prática, os governos pretendem adotar medidas de asfixia financeira e logística contra os 24 grupos listados.
As medidas incluem o bloqueio de ativos financeiros, com congelamento coordenado de contas bancárias e patrimônio ligado às facções. Haverá também restrições de imigração e vistos, vetando a entrada de membros, colaboradores e financiadores nos territórios dos países-membros. Por fim, prevê-se responsabilização criminal para quem prestar suporte logístico, financeiro ou material deliberado às quadrilhas.
Impacto na fronteira
O bloco anunciou o envio de pedido formal à Organização dos Estados Americanos (OEA). O objetivo é convocar o Órgão de Consulta sob as regras do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR). A intenção é aprovar resolução ministerial para respaldar ações de defesa coletiva contra as organizações classificadas como narcoterroristas.
A adesão de Bolívia e Paraguai ocorre em um momento crítico. Os dois países vizinhos concentram rotas de abastecimento e entrepostos logísticos de drogas e armamentos. Esses itens entram no Brasil através da linha de fronteira de Mato Grosso do Sul. A região é dominada por disputas violentas entre o PCC e o Comando Vermelho.
A lista dos 24 grupos transnacionais alvos da coalizão abrange, além das facções brasileiras, organizações como o Trem de Aragua (Venezuela), Mara Salvatrucha (El Salvador), Cartel de Sinaloa e CJNG (México), Clã do Golfo e dissidências das FARC (Colômbia), e Sendero Luminoso (Peru). O próximo passo envolve a deliberação na OEA para validar as medidas de defesa coletiva.







