Pesquisar

Patologista Gisele Iguma reforça mamografia anual a partir dos 40 anos e desmonta mitos sobre câncer de mama

Gisele Iguma, patologista responsável pelo laboratório Lapac, com mais de cinco décadas de atuação em Dourados (MS), participou da entrevista ao programa Microfone Aberto, da Massa FM, para falar sobre a prevenção do câncer de mama. A profissional ressaltou que a mamografia anual, iniciada aos 40 anos, continua sendo o exame mais eficaz para detectar a doença em fase precoce, evitando atrasos no diagnóstico e reduzindo a mortalidade.

O Lapac, referência local em análises clínicas, celebra 50 anos de história ao oferecer serviços de diagnóstico que incluem a citologia e a patologia de tecidos. Iguma, que coordena a área de patologia do laboratório, aproveitou a oportunidade para alertar que a campanha do Outubro Rosa deve ser entendida como um convite à atenção contínua, e não como um esforço restrito ao mês de outubro.

Segundo a médica, a mamografia funciona como um raio‑X de baixa dose, capaz de revelar pequenos nódulos, microcalcificações e lesões ainda incipientes. Quando o câncer de mama é identificado precocemente, as chances de cura ultrapassam 95 %, e os tratamentos tendem a ser menos agressivos, preservando a qualidade de vida das pacientes.

“A mensagem do Outubro Rosa é que sejam 12 meses de cuidado, não só o mês de outubro”, enfatizou Iguma ao abrir a entrevista. A partir desse ponto, ela respondeu dúvidas de ouvintes sobre dor durante o exame, histórico familiar, obesidade, uso de sutiã, prótese de silicone e sinais de alerta que merecem atenção imediata.

Importância da mamografia

Iguma deixou claro que a idade de início recomendada para a mamografia é 40 anos, e não 50 como costuma ser divulgado em algumas campanhas. “Não é 50, é 40 anos”, afirmou, destacando que a regularidade anual está diretamente ligada à redução da mortalidade por câncer de mama. A profissional explicou que o exame deve ser repetido a cada 12 meses, independentemente de fatores de risco individuais.

Sobre o desconforto relatado por muitas mulheres, a patologista reconheceu que ele existe, mas costuma ser suportável e varia conforme a sensibilidade de cada paciente. Ela orientou que, sempre que possível, o exame seja agendado em períodos em que as mamas estejam menos sensíveis, lembrando que os aparelhos modernos reduzem significativamente a sensação de compressão.

Em relação à dor como sintoma, Iguma esclareceu que, nas fases iniciais, o câncer de mama normalmente não provoca dor nem alterações visíveis. Essa característica torna perigoso esperar por sintomas dolorosos para procurar atendimento. Ela listou sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata: presença de nódulo, secreção espontânea pelo mamilo (especialmente se avermelhada ou com sangue), alterações na pele ou no mamilo, retrações, vermelhidão, irritação e nódulos na axila.

O autoexame, segundo a médica, tem papel importante no reconhecimento do próprio corpo, mas não substitui a mamografia. “O objetivo dele não é detectar o câncer precoce, mas você se conhecer e saber olhar as modificações do seu corpo”, explicou Iguma, reforçando que o exame de imagem permanece como o método mais confiável para diagnóstico precoce.

Mitos desmistificados

Ao ser questionada sobre fatores hereditários, a patologista informou que apenas cerca de 10 % dos casos de câncer de mama têm origem genética. Os demais 90 % estão associados a estilo de vida e fatores ambientais. Ela alertou que nenhuma mulher está livre do risco, sendo o simples fato de ser mulher já um fator de risco, com probabilidade de 12 % a 14 % de desenvolver a doença ao longo da vida.

A obesidade foi citada como um risco comprovado, ligado a pelo menos 13 tipos diferentes de câncer, inclusive o de mama. Iguma enfatizou que o excesso de peso aumenta a probabilidade de desenvolvimento da doença, reforçando a necessidade de hábitos saudáveis como parte da prevenção.

Vários mitos foram desmentidos durante a entrevista. O uso de sutiã, inclusive durante o sono, não tem relação com o surgimento do câncer; a compressão pode causar desconforto, mas não provoca a doença. Traumas na mama, como pancadas, também não são causadores de câncer; embora possam chamar a atenção para a região, não geram alterações malignas. Quanto às próteses de silicone, a médica explicou que mulheres com implantes podem e devem fazer mamografia, pois existem técnicas específicas que permitem a visualização adequada do tecido mamário.

Ao encerrar, Iguma fez um apelo direto às mulheres: “Mulheres, se olhem, sejam a sua prioridade”. Ela destacou que muitas cuidam da casa, dos filhos e da família, mas deixam de lado os exames de rotina. A médica ainda abordou a saúde mental, afirmando que a depressão não causa câncer, mas pode levar à negligência de consultas médicas, à redução da atividade física e ao abandono do autocuidado.

Para quem perceber algum sinal de alerta ou mudança no corpo, a recomendação é procurar um médico de confiança ou uma unidade de saúde imediatamente. Iguma enfatizou que a paciente deve insistir quando algo não parece normal, pois alguns tumores podem se camuflar e a própria percepção da mulher pode ser decisiva. “A informação salva vidas”, concluiu, reforçando a necessidade de informação de qualidade e de exames regulares como pilares da prevenção.

Isso vai fechar em 35 segundos