No início de outubro, forças de fiscalização e órgãos de controle se reuniram em Campo Grande para intensificar a luta contra o contrabando de defensivos agrícolas, sementes sem procedência e cargas clandestinas que ameaçam a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio local.
Entre segunda-feira (19) e sexta-feira (23), fiscais estaduais, federais e agentes de segurança participaram do Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários, organizado pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de associações do setor, como CropLife Brasil, Associação Nacional de Distribuidores de Insumos (Andav) e Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev).
O auditório da Iagro, localizado na Avenida Senador Filinto Müller, 1.146, Vila Ipiranga, foi palco das sessões, que visam preparar equipes para operações em rodovias de Mato Grosso do Sul.
Capacitação em Campo Grande
A programação incluiu módulos práticos de identificação de agrotóxicos ilegais, perícia de sementes adulteradas, checagem documental de cargas e simulações operacionais de abordagem na malha viária, com foco em padronizar abordagens e intensificar barreiras fixas e volantes nos principais corredores de escoamento do estado.
Orientações para produtores
Os órgãos de controle alertam que produtores e revendedores devem adquirir defensivos e sementes apenas em estabelecimentos credenciados, exigir nota fiscal discriminada, verificar o cadastro regular nos sistemas da Iagro e do Mapa, recusar embalagens sem rótulo legível ou lacres rompidos, e denunciar ofertas com valores muito abaixo do mercado ou suspeitas de transporte irregular.
O comércio paralelo movimenta cifras bilionárias no país, prejudicando a arrecadação e a competitividade do produtor formal. Além da evasão fiscal, o uso de defensivos sem registro técnico no Mapa representa riscos graves de contaminação do solo, de mananciais e da própria lavoura, com princípios ativos de toxicidade desconhecida ou banidos no Brasil.
Segundo o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, a repressão nas estradas depende da articulação direta entre agentes de segurança e fiscais sanitários para travar o fluxo interestadual e transfronteiriço de mercadorias adulteradas.
O seminário, que se estende por cinco dias, culmina em uma avaliação prática que visa garantir que as equipes estejam preparadas para identificar e apreender cargas suspeitas, reforçando a segurança nas rotas de escoamento e protegendo a cadeia de abastecimento agrícola.
Com o reforço das inspeções, as autoridades planejam ampliar a presença de fiscais em pontos críticos da malha viária, além de fortalecer parcerias com associações de produtores para monitorar a origem e a documentação dos insumos.
Os próximos passos incluem a implementação de sistemas de rastreabilidade digital e a realização de operações surpresa em pontos de entrada e saída de cargas, com expectativa de reduzir em 30% o fluxo de insumos ilegais nas rodovias do estado até o final de 2027.








