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Três Lagoas tem 3.650 adolescentes sem a segunda dose da vacina contra dengue

Em Três Lagoas, MS, 3.650 adolescentes de 10 a 14 anos ainda não receberam a segunda dose da vacina contra a dengue, deixando parte do público‑alvo com esquema vacinal incompleto pouco antes do início da temporada de maior incidência da doença. A falta da dose final reduz a proteção individual e aumenta o risco coletivo de transmissão.

A primeira dose, oferecida desde o lançamento nacional da campanha em fevereiro de 2024, registrou forte procura, com mais de 10 mil jovens vacinados até o momento. No município, a cobertura da primeira dose chegou a 101%, superando a meta estabelecida, enquanto a da segunda dose está em 71%, indicando que quase três quartos dos adolescentes ainda não completaram o esquema.

O cenário local reflete tendência nacional. O Ministério da Saúde informou, nesta terça‑feira (27), que cerca de 3 milhões de adolescentes em todo o país ainda não tomaram a segunda dose da vacina contra a dengue.

Para a coordenadora da central de vacina, Humberta Azambuja, a situação representa risco real, pois quem recebeu apenas a primeira aplicação não está totalmente protegido. A vacina não impede 100% dos casos, mas oferece mais de 80% de proteção contra a doença e mais de 90% contra formas graves, reduzindo significativamente a chance de hospitalização e de evolução para quadros críticos.

Vacina e eficácia

O imunizante, produzido pela Takeda, é administrado em duas doses com intervalo de três meses. A eficácia de mais de 80% contra a dengue e de mais de 90% contra quadros graves se baseia no esquema completo. Jovens que permanecem com apenas a primeira dose ainda podem contrair a doença e evoluir para formas graves, embora o risco de hospitalização seja menor.

A aplicação ocorre exclusivamente nas unidades de saúde, por exigência de farmacovigilância. Após a injeção, o adolescente deve permanecer no local por 10 a 15 minutos para observação de eventuais reações, como desmaio ou tontura. Até o momento, não há registro de eventos graves no município, e a vacina continua sendo distribuída gratuitamente em todas as unidades de saúde da rede municipal.

Risco no período de chuvas

Com a chegada da estação das chuvas e das altas temperaturas, a preocupação aumenta. O Aedes aegypti, vetor da dengue, reproduz‑se em maior número, e Três Lagoas já detectou circulação do sorotipo 3 do vírus. A Secretaria de Saúde tem encontrado ovos do mosquito com frequência, o que indica potencial de ampliação da transmissão.

Diante desse panorama, a orientação da secretaria é clara: pais e responsáveis devem conferir a caderneta de vacinação dos filhos de 10 a 14 anos e garantir que a segunda dose seja aplicada o quanto antes. Completar o esquema vacinal é a medida mais eficaz para ampliar a proteção da população juvenil contra a dengue neste período crítico. A conclusão do esquema também contribui para a meta municipal de controle da dengue, prevista para 2026, quando se espera manter índices baixos da doença.

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