Motoristas que percorrerem a BR-262 entre Campo Grande e Três Lagoas, percurso de 311 km, deverão pagar R$ 57,60 em cada sentido, totalizando R$ 115,20 por viagem de ida e volta, quando a cobrança de pedágio entrar em vigor. A cobrança está prevista para começar em fevereiro de 2027, mas depende da conclusão das obrigações contratuais da concessionária Caminhos da Celulose e da homologação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agems).
O contrato de concessão, assinado em 6 de fevereiro de 2026, tem vigência de 30 anos e prevê investimentos de R$ 10,1 bilhões, além de custos operacionais. No primeiro ano de contrato, que se encerra em 5 de fevereiro de 2027, a concessionária tem a obrigação de instalar pórticos de cobrança, garantir 80% das edificações operacionais, e disponibilizar serviços de socorro mecânico, ambulâncias, remoção de veículos e inspeção de tráfego.
Até o momento, cinco rodovias concedidas ainda não contam com o socorro mecânico, ambulâncias nem com a rede de telefonia celular prevista. A falta desses serviços foi apontada pela própria concessionária, que reconhece que a estrutura ainda está em fase de implantação.
Além dos serviços de emergência, a concessionária ainda está construindo 13 bases de atendimento ao usuário. A previsão inicial para início desses serviços era outubro de 2026; atualmente, a data foi adiada para novembro de 2026, com conclusão das bases prevista para o início de 2027.
Infraestrutura pendente
A rede de telefonia 4G ao longo das rodovias ainda não está operacional. Das 82 torres previstas, 69 foram concluídas, mas aguardam ativação. Em entrevista à Massa FM, o diretor‑presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, informou que a cobertura completa deve ficar pronta em março de 2027, data posterior ao início planejado da cobrança.
Os pórticos de cobrança, essenciais para o sistema free‑flow, também precisam estar instalados até o fim do primeiro ano. No balanço divulgado em 20 de março, a concessionária não detalhou quantos pórticos já foram montados, mas reconheceu que a instalação ainda está em andamento.
O contrato estabelece que a cobrança só pode ser iniciada após a Agems confirmar o cumprimento de todas as exigências. De Donno reforçou que a solicitação de início da tarifa será feita somente se todas as obrigações contratuais forem atendidas até a data de referência.
Os valores de pedágio foram definidos com base em um desconto de 8 % concedido no leilão. Para veículos de passeio, a tarifa de referência para a rota Campo Grande‑Três Lagoas é de R$ 57,60 por sentido. Quem utiliza a tag de pedágio tem direito a um desconto adicional de 5 %, reduzindo o valor para R$ 54,72 por sentido. O contrato ainda prevê descontos progressivos de até 20 % para veículos leves que utilizam a rodovia com frequência.
Para caminhões, a tarifa varia conforme o número de eixos. Um caminhão de seis eixos paga seis vezes o valor do carro, totalizando R$ 345,60 por viagem entre Campo Grande e Três Lagoas.
O sistema de cobrança será do tipo free‑flow, ou seja, os pórticos identificarão o veículo por meio da tag ou da leitura automática da placa, sem necessidade de parada. Motoristas sem tag deverão efetuar o pagamento pelo site ou aplicativo da concessionária em até 30 dias após a passagem. O não pagamento configura evasão de pedágio, infração grave segundo o Código de Trânsito Brasileiro.
O edital de concessão prevê tarifas diferentes para pista simples e pista dupla. A duplicação da BR‑262 entre Ribas do Rio Pardo e Campo Grande está prevista entre o segundo e o sexto ano de contrato, com pedágio já em vigor. Quando concluída, a tarifa do pórtico do km 292 passará de R$ 14,90 para R$ 21,20, aumento de 42,3 %. No km 207, a tarifa subiria de R$ 18,00 para R$ 19,70, alta de 9,4 %.
Próximos passos
A concessionária indica que os serviços de atendimento ao usuário deverão iniciar em novembro de 2026. Até o término do 12º mês de contrato, em fevereiro de 2027, todos os pórticos de cobrança precisam estar instalados. Após essa etapa, a empresa deverá solicitar à Agems a autorização para iniciar a cobrança.
A Agems, por sua vez, coordenará com o Detran‑MS, a Agesul e a concessionária a integração dos sistemas necessários para o funcionamento do free‑flow. As duplicações de pista e a implantação de terceiras faixas estão previstas a partir do segundo ano de contrato, quando a cobrança já estiver em vigor.
Para os motoristas, a expectativa é que o pedágio represente um custo adicional significativo, sobretudo para quem realiza viagens frequentes entre as duas cidades. O desconto para quem utiliza a tag pode aliviar parte desse impacto, mas a ausência de serviços de socorro mecânico e de cobertura de celular pode gerar insegurança até que a infraestrutura esteja totalmente operacional.
Deputados estaduais já cobraram na Assembleia Legislativa a regularização da manutenção básica, como roçada e tapa‑buracos, em trechos da concessão. As reclamações de motoristas sobre buracos na MS‑040 e na BR‑267 foram registradas antes do início das obras de recuperação, que começaram em 31 de julho de 2026. Segundo a concessionária, nos primeiros 100 dias foram recuperados 705 km de pavimento, superando a meta inicial de 150 km.
Em resumo, a cobrança de pedágio na Rota da Celulose está condicionada ao cumprimento de um conjunto de obrigações técnicas e operacionais. Enquanto a concessionária avança na construção das bases de atendimento, na ativação das torres 4G e na instalação dos pórticos, a Agems mantém a aprovação da tarifa sob reserva. Motoristas devem ficar atentos ao calendário de implantação e às formas de pagamento, para evitar multas e garantir a utilização segura das rodovias concedidas.







