O Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul definiu uma estratégia clara para o segundo turno das eleições presidenciais. A meta é conquistar os 483 mil eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Essa abstenção representa quase 24% do total de votantes do estado, o maior índice registrado no país.
De acordo com o deputado federal Vander Loubet, presidente do PT estadual, a prioridade é mobilizar esses eleitores ausentes. O objetivo declarado pelo partido é recuperar a marca de 40% de votos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve no segundo turno de 2022. No primeiro turno deste ano, Lula alcançou 34,68% dos votos válidos em Mato Grosso do Sul.
Logística da campanha
A deputada federal Camila Jara (PT) informou que o presidente Lula não tem visita marcada ao estado neste momento. A expectativa é que ministros e lideranças nacionais sejam enviados para apoiar a militância, seguindo o modelo utilizado no primeiro turno. A estrutura local conta com a participação de Fábio Trad (PT), que perdeu a eleição para governador com 322.807 votos, mas se comprometeu a mobilizar seus apoiadores.
Outros nomes importantes integram a equipe de campanha. Vander Loubet, que obteve 13,88% dos votos para o Senado, e a senadora Soraya Thronicke (PSB), com 13,07%, vão percorrer o estado. Camila Jara, deputada federal mais votada de MS com 154.157 votos, lidera a estratégia nas redes sociais, auxiliada pelo deputado estadual eleito Tiago Botelho e pelo vereador Jean Ferreira.
A divisão de responsabilidades abrange diferentes regiões e perfis de eleitor. Gleice Jane ficará responsável pela Grande Dourados, enquanto Zeca do PT, ex-governador, visitará assentamentos rurais. Candidatos indígenas, como Eliel Kaiowá, atuarão especificamente nas aldeias. O foco nestas áreas se deve à dificuldade de deslocamento causada pela chuva no dia da votação e ao histórico de apoio a Lula nessas localidades.
Projeções e desafios
Lula venceu em seis municípios do estado, com destaque para Japorã, onde obteve 67,26% dos votos, e Tacuru, com 57,82%. Ele também ficou próximo de Flávio Bolsonaro (PL) em Corumbá e Aquidauana. Além do apoio partidário, Lula possui uma base própria de eleitores, tendo recebido 194 mil votos a mais do que Fábio Trad no estado.
As simulações da reportagem indicam que a vantagem de Flávio Bolsonaro pode ampliar para cerca de 390 mil votos com a conversão dos eleitores de candidatos derrotados. Para atingir a meta de 40%, Lula precisaria de aproximadamente 617 mil votos, o que representa um acréscimo de 100 mil votos em relação ao primeiro turno.
Se o PT conseguir levar 100 mil eleitores ausentes às urnas e capturar 70% deles, a votação de Lula chegaria a 38,9%. Nesse cenário, a diferença para Flávio cairia para cerca de 345 mil votos. Mesmo mobilizando 150 mil ausentes, o petista ficaria abaixo da meta de 40%. A base de Flávio, comandada pelo governador Eduardo Riedel (PP), também atua para reduzir a abstenção.
A estratégia em Mato Grosso do Sul visa conter danos e reduzir a diferença de votos. Uma mobilização forte poderia diminuir a vantagem de Flávio de 390 mil para cerca de 340 mil votos. Isso representaria um ganho de 40 mil a 50 mil votos na conta nacional. Embora insuficiente para mudar o resultado sozinho, cada voto é relevante em uma disputa que teve diferença de 2,2 milhões no primeiro turno. O desfecho dependerá de quem conseguir levar mais eleitores ausentes às urnas no dia 25.








