O ex‑vereador Tiago Vargas foi oficialmente reintegrado ao quadro da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) após a publicação, no Diário Oficial do Estado, do decreto que anulou a demissão aplicada contra ele em 2020.
Vargas recebeu a notícia enquanto trabalhava na reciclagem de resíduos na capital, Campo Grande, atividade que vinha exercendo nos últimos meses. O aviso, divulgado no Diário Oficial, encerrou uma disputa de seis anos na Justiça e marcou o retorno ao cargo de investigador na comarca de Pedro Gomes, no norte do estado.
A publicação no Diário Oficial oficializa a anulação da demissão e restabelece todos os direitos e garantias inerentes ao cargo de investigador, incluindo a remuneração, a estabilidade e a possibilidade de progressão na carreira.
“Foi muito gratificante e eu fiquei muito feliz quando eu descobri que eu tinha retornado à Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul. Eu tinha retornado ao meu sonho de criança. Desde criança eu sonhava em ser policial civil e, graças a Deus, consegui através de muito esforço, muitos estudos”, declarou o agente, que ainda descreveu o momento como “um sentimento misto, de felicidade, de euforia”.
A decisão judicial que culminou na reintegração partiu da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que julgou nulo o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra o servidor. O tribunal apontou irregularidade e falta de imparcialidade no laudo pericial médico que havia servido de base para o desligamento há seis anos.
Trajetória política
Tiago Vargas foi o vereador mais votado em Campo Grande nas eleições de 2020. Dois anos depois, ao disputar a candidatura a deputado estadual, recebeu mais de 18 mil votos – número suficiente para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa –, mas teve o registro barrado pela Justiça Eleitoral. O impedimento decorreu da demissão da Polícia Civil, que o enquadrou na Lei da Ficha Limpa e inviabilizou a continuidade de sua trajetória no Legislativo municipal.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, impulsionado por vídeos críticos que denunciavam a decisão administrativa. A controvérsia acabou se tornando símbolo de uma disputa entre a esfera política e a justiça disciplinar, culminando no reconhecimento de que o PAD continha falhas que violaram o princípio da imparcialidade.
Nos últimos meses, Vargas dedicou‑se à coleta e triagem de materiais recicláveis em Campo Grande, atividade que lhe permitiu manter uma rotina de trabalho enquanto aguardava a decisão judicial. O retorno à Polícia Civil o levará a se deslocar cerca de 310 km até Pedro Gomes, município fronteiriço com o estado de Mato Grosso, onde pretende retomar as investigações criminais locais.
Desafios da reintegração
Com a designação para a Delegacia de Polícia Civil de Pedro Gomes, Vargas retorna ao posto que ocupava antes da demissão de 2020. “Pedro Gomes eu já tenho um grato carinho e imenso respeito, porque era a cidade na qual eu já vinha trabalhando”, afirmou, ressaltando que a lotação segue as normas administrativas da corporação.
Entretanto, para assumir efetivamente as escalas em Pedro Gomes, o investigador ainda precisa cumprir exigências perante a Justiça comum. Condenado a um ano e três meses de prisão domiciliar com monitoramento por pulseira eletrônica, em ação judicial movida pelo ex‑governador Reinaldo Azambuja, Vargas depende de autorização formal da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande para transitar além dos limites da capital.
Uma vez obtida a validação judicial, ele concluirá as etapas protocolares de reintegração, terá restituição dos direitos do cargo e voltará a compor o quadro operacional da segurança pública sul‑mato‑grossense. “Quero trabalhar para toda a população, servir e proteger os nossos munícipes, que esse é o verdadeiro papel da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul”, declarou.
Moradores de Pedro Gomes manifestaram esperança de que a presença de um investigador com experiência legislativa possa fortalecer a cooperação entre a comunidade e a polícia. A expectativa é que Vargas contribua para a solução de casos de violência rural e para a melhoria dos índices de segurança na região norte do estado.
O retorno de Tiago Vargas à Polícia Civil representa, para a comunidade de Pedro Gomes e para o estado, a conclusão de um processo judicial que durou mais de meio decênio. O próximo passo será a liberação da autorização de deslocamento pela Vara de Execução Penal, etapa que determinará quando o investigador poderá retomar suas atividades de campo e contribuir para a investigação criminal na região.







